PF faz operação contra crimes eleitorais e ameaças nas redes sociais

Da Folha de S. Paulo

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta (24) nove ações simultâneas para coibir delitos de violação de sigilo do voto e incitação a crimes, inclusive de homicídio, praticados nas redes sociais contra os dois candidatos à Presidência, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).

Os policiais miram nove pessoas, em seis estados, que publicaram imagens revelando como votaram e estimularam situações de ameaça aos postulantes ao comando do país. A PF não divulgou detalhes dos casos, tampouco os nomes dos investigados.

Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Sorocaba, Uberlândia e Caxias do Sul. O propósito é obter os celulares dos envolvidos, usados para postar as mensagens. "Neles há a materialidade do crime. Podemos comprovar com mais firmeza a ocorrência do delito", explicou o delegado Flávio Coca.

Também há ações, mas sem o cumprimento de mandados de busca e apreensão, em Juiz de Fora, Varginha, Recife e Caxias do Sul. Todos os alvos estão sendo intimados a depor. Como os crimes são de menor potencial ofensivo, não haverá inquérito, mas eles terão de assinar termos circunstanciados de ocorrência.

A operação, batizada de Olhos de Lince, é resultado das atividades do Centro Integrado de Comando e Controle Eleitoral, da PF, com o objetivo de acompanhar as redes sociais para identificar e evitar possíveis crimes eleitorais e ameaças aos candidatos.

Alguns casos foram investigados a partir de denúncias. Para a identificação dos investigados, foram usadas técnicas de reconhecimento facial. Por meio de critérios científicos, os peritos da PF analisaram e compararam características como cicatrizes, manchas e proporções.

Em ao menos uma situação, foi possível chegar ao suspeito pela imagem da mão, postada em rede social.

Coca ressaltou que não há anonimato na internet. "Não adianta se esconder atrás do teclado, porque a PF vai chegar até essas pessoas [que praticam crimes]."

O delegado afirmou que não há, por ora, evidência de uma ação articulada de algum dos envolvidos com campanhas ou grupos mais organizados. Ele explicou que quem replicou as mensagens não cometeu ilegalidade, porque isso, em princípio, não configura dolo (intenção delituosa). Mas ponderou que é preciso ter cautela com o que se passa adiante.

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

Comentários