EXCLUSIVO: Os bastidores de quando tudo começou e definiu o futuro do presidente eleito Jair Bolsonaro

Por Ricardo Antunes

Faltava pouco mais de dois dias para o mês de dezembro chegar quando o deputado federal Jair Messias Bolsonaro foi informado que seu sonho de disputar o Palácio do Planalto teria que ser adiado. O motivo era simples: Ele não tinha uma legenda para chamar de "sua".

Desde o início do ano passado, quando já anunciava que seria candidato à Presidência da República, Bolsonaro foi escanteado pelo PSC, partido que o abrigou em março de 2016, quando ele deixou o PP.

Representantes da sigla deixavam claro  que o deputado não representava  a ideologia da legenda e lideranças não estavam dispostas a bancar o  seu projeto presidencial.

Desde então, ele vinha procurando um lugar que o abraçasse por inteiro.  "Ser o personagem principal da legenda é uma das exigências de que ele não abre mão", dizia na época o deputado Onix Lorenzoni (DEM), o primeiro que mesmo no DEM já emprestava seu apoio político ao pré-candidato.

Mas o temor e o tempo andava juntos. E se Bolsonaro não conseguisse a legenda? Segundo o que o blog apurou com pessoas próximas ao seu entorno, o deputado temia que alguma "armadilha" adiasse seu sonho de tentar disputar o Palácio do Planalto. Ele não poderia entrar numa legenda errada.

" O sistema não me quer como candidato, pois eu sou uma ameaça", confidenciou certa vez ao filho, Carlos, em uma café no Rio de Janeiro.

Depois de conversar com muitas siglas consideradas nanicas, entre elas o PSDC, de José Maria Eymael, e a que nem chegou a ser formada chegou a assinar  um compromisso de filiação com o Patriotas (PEN), em 23 de novembro do ano passado que também não avançou.

Um dos principais conflitos foi por causa do comando do diretório estadual de São Paulo. O deputado exigia  pessoas da sua confiança em  São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.  E agora?

Frustrado, Bolsonaro não se deu por vencido e um empresário amigo lembrou que esse partido poderia ser o PSL, de Luciano Bivar.

Foi então que no  dia 05 de janeiro de 2018, um seleto grupo assinava carta simbólica e ajudava na articulação para que o PSL recebesse, o então candidato à presidência da república, Jair Bolsonaro. O ato foi  realizado em um apartamento na Avenida Boa Viagem.

 

O "casamento"  com o PSL foi muito celebrado pelo presidente da legenda, Luciano Bivar, que desde as primeiras conversas não fez qualquer exigências ao então pré-candidato e o deixou tranquilo para assumir o comando do partido e fazer as mudanças que achasse necessária nos diretórios regionais.

Bivar já tinha decidido renovar seu mandato na Câmara dos Deputados e, concordou que durante a campanha, o advogado Gustavo Bebiano, assumisse a presidência da legenda

"Ele e seu grupo foram muito respeitosos comigo e me deixaram muito à vontade. Estou impressionado", chegou a confidenciar em telefonema ao então senador Magno Malta, pouco depois de retornar ao Rio ainda no Aeroporto dos Guararapes.

O encontro demorou horas mas era preciso uma definição. Bolsonaro chegou  acompanhado apenas de um deputado do Paraná. Estava tranquilo e durante toda a discussão só tomou água e café. Batido o martelo deum uma rápida entrevistas a jornalistas locais e ele  embarcou de volta para o Rio no voo das 20h30.

Uma carta  também foi redigida e  divulgada à imprensa  de todo o Brasil pelo novo partido: “É com muito orgulho que o PSL recebe o deputado Jair Bolsonaro e sua pré-candidatura à Presidência da República. Outrossim, é com muita honra que o deputado se sente abrigado pela legenda, e muito à vontade em um partido onde existe total comunhão de pensamentos”, dizia um dos trechos do documento.

Naquele dia, Luciano Bivar e seu restrito grupo de amigos e assessores não sabiam, mas começavam a escrever um capítulo importante da história política do país tendo novamente Pernambuco como protagonista.

Estavam consolidando o primeiro passo  para que Jair Bolsonaro pudesse disputar, ganhar a eleição e realizar o sonho que começou há mais de seis anos:

Subir a rampa do Palácio do Planalto como presidente eleito no primeiro dia de 2019.

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