Palocci reafirma que fez entregas de dinheiro a Lula em caixas de whisky e no avião presidencial

Por O Globo

Em novos depoimentos de sua delação premiada, o ex-ministro da Fazenda  Antonio Palocci afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis pagar pelo tríplex no Guarujá, no (SP) com seus próprios recursos porque um “apartamento na praia” sujaria sua biografia. Palocci disse que, durante a evolução da Operação Lava Jato, perguntou a Lula sobre o assunto

— Por que você não pega o dinheiro de uma palestra e paga o seu tríplex?

Um apartamento na praia não cabe em minha biografia.

O tríplex foi a razão da condenação de Lula, em segunda instância, a 12 anos e um mês de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de receber o apartamento da empreiteira OAS, como retribuição pelo esquema de corrupção da Petrobras. A defesa do ex-presidente nega que o apartamento tenha sido destinado a ele.

O ex-ministro deu novos detalhes que implicam o ex-presidente petista, afirmando que “a única preocupação de Lula era preservar sua própria imagem, afastando-se deliberadamente dos momentos de ilicitudes e sistematicamente construindo versões que o isentavam de qualquer malfeito”.

No depoimento, o ex-responsável pela Fazenda destacou que os pagamentos a Lula envolveram, inclusive, um encontro no avião da presidência da República e que chegou a repassar dinheiro dentro de caixas de celular e de whisky.

“Se recorda que levou valores a Lula em Brasília/DF; que levou valores em espécie a Lula em diversas vezes em São Paulo/SP; que já levou valores em espécie para Lula dentro da aeronave presidencial; que era apenas o colaborador a levar pessoalmente recursos a Lula, entregues em suas mãos; que indagado se existem testemunhas dessas entregas, respondeu que em determinada oportunidade levou 50 mil reais em espécies a Lula no Terminal da Aeronáutica em Brasília/DF, durante a campanha de 2010, dentro de uma caixa de celular na frente do motorista do colaborador, cujo nome era Cláudio Gouveia”, relatou.

 

Palocci prosseguiu: “Em São Paulo, recorda-se de episódio de quando levou dinheiro em espécie a Lula dentro de caixa de whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local recebeu constantes chamadas telefônicas de Lula cobrando a entrega”.

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