Sergio Moro pedirá demissão se perder direção-geral da PF

Por Guilherme Amado colunista da Revista Época

Embora tenha topado amaciar o presidente aqui e ali no Twitter, em lives do Facebook e até publicamente, Sergio Moro ainda não se sente entre os seus. Quase não tem interlocutores no governo. Conversa com poucos na Esplanada, entre eles Paulo Guedes e Eduardo Villas Bôas. Com o restante, a relação é protocolar. Sente-se especialmente desconfortável com o linguajar de Bolsonaro sobre uma série de assuntos. Mas, até semanas atrás, tudo parecia valer a pena em nome de colocar de pé, agora no Executivo, estruturas eficazes no combate à corrupção.

Em nome de avançar numa agenda dura de repressão ao crime de colarinho branco, valeria ignorar as frases grosseiras de Bolsonaro, muitas vezes ditas a seu lado, os escândalos do PSL e do gabinete de Flávio Bolsonaro, a bizarrice cometida pelos ministros da selva olavista. Uma cadeira no Supremo Tribunal Federal seria consequência de um bom trabalho no Ministério da Justiça. Mas tudo mudou. Em seu nono mês como ministro, Moro está exaurido. E, segundo pessoas de sua confiança, decidido: se uma canetada de Bolsonaro tirar Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal (PF) e não colocar em seu lugar alguém da confiança de Moro, o ministro deixará o governo.

A insatisfação de Bolsonaro com Moro começou quando o presidente, em 26 de maio, no domingo em que convocou a população para ir às ruas defender seu governo, deparou com um boneco inflável do Super-Moro, em Brasília. Ninguém se lembrou do Super-Bolsonaro. Aliás, não havia nem um chaveirinho de lembrança com o rosto do Mito. As pesquisas, que Bolsonaro diz menosprezar, deixaram-no ainda mais enciumado. Moro era e ainda é bem mais popular que ele.

Quando veio a Vaza Jato, Bolsonaro comentou com um de seus filhos que aquilo tinha um lado positivo para ele, pois Moro agora dependeria mais do Planalto, o que, de certa maneira, é verdade. Um ministro da Justiça que nunca teve de se explicar agora precisaria do governo para defendê-lo. Mas a fritura de Moro começou bem antes.

(Atualização às 18:35 de 12 de setembro: Moro escreveu à coluna dizendo que se trata de “especulação de terceiros” a possibilidade de sua saída. A coluna mantém a informação de que Moro afirmou a interlocutores sua disposição de sair do governo caso perca o controle da PF.)

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

da Redação

Comentários