Aras diz ter alertado Bolsonaro em conversa: 'O senhor não vai poder mandar, desmandar'

Por O Globo

BRASÍLIA — Em busca de votos para aprovação no Senado da indicação ao comando da Procuradoria-geral da República (PGR), o subprocurador Augusto Aras esteve na manhã desta quinta-feira no gabinete do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que já declarou ser contra sua indicação. Segundo o site G1, Aras contou ao senador ter alertado o presidente Jair Bolsonaro de que o ocupante do cargo de procurador-geral tem garantias constitucionais e que ele, Bolsonaro, "não vai poder mandar, desmandar".

"Tive o primeiro contato com o presidente da República através de um amigo de muitos anos e, nesse mesmo primeiro contato, eu disse ao presidente exatamente isso: 'Presidente, o senhor não pode errar (...) porque o Ministério Público, o procurador-geral da República, tem as garantias constitucionais, que o senhor não vai poder mandar, desmandar ou admitir sua expressão. Tem a liberdade de expressão para acolher ou desacolher qualquer manifestação. O senhor não vai poder mudar o que for feito'", disse Aras ao senador em conversa gravada por repórter cinematográfico da TV Globo.

Ao sair do gabinete do senador, Aras disse que nas conversas com parlamentares tem apresentado seu pensamento sobre um "Ministério Público moderno", capaz de atender às grandes necessidades do Brasil novo.

— Eu tenho apenas conversado com os senadores sobre nosso pensamento a cerca do Ministério Público moderno capaz de atender às grandes necessidades do Brasil novo, do Brasil que exige não somente combate à corrupção, mas também exige o destravamento da economia — disse Aras, afirmando também que os parlamentares "são sempre receptivos".

A indicação do subprocurador já começou a tramitar oficialmente no Senado. Primeiro, a análise será feita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e terá como relator o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que é investigado na Lava-Jato em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

No périplo para ser aprovado na sabatina, Aras jantou com a bancada do PP na casa do senador Ciro Nogueira (PI), em Brasília, conforme mostrou a colunista Bela Megale. Ciro Nogueira também é investigado na Lava-Jato.

Após votação na CCJ do Senado, Aras terá que ser aprovado pelo plenário da Casa e precisará de votos da maioria absoluta, ou seja, pelo menos 41 votos a favor. As votações são secretas.

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da Redação

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