Com brigas e aprovação de Bolsonaro em queda, PSL teme 'falta de respaldo'

Por Guilherme Mazieiro do UOL

Em meio ao aumento da reprovação de Jair Bolsonaro (PSL) e a pouco mais de um ano das eleições municipais, o partido do presidente teme "falta de respaldo" para caminhar. Essa é a opinião expressada aos colegas pelo presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), vaiado há duas semanas em um restaurante no seu reduto eleitoral, Recife (PE).

"Para que vcs tomem conhecimento, no sabado passado no restaurante bar Mamulengo em Recife fui agredido moralmente por um enorme grupo no bar e hoje começo a refletir até onde teremos respaldo para caminharmos", escreveu Bivar, em mensagem no grupo de Whastapp da bancada do PSL.

O partido vive em clima de constante confronto. No mês passado expulsou Alexandre Frota, que se filiou ao PSDB em São Paulo. A saída do ex-correligionário aumentou a tensão interna no partido.

Nos últimos dias, começaram articulações entre ao menos dez deputados para tentar destituir Delegado Waldir (PSL-GO) da liderança da bancada na Câmara, visto como próximo a Bivar.

Há mais descontentes, mas com receio de bater de frente com a direção de Bivar. Um dos que declaram guerra aberta é Bibo Nunes (PSL-RS), que já acionou o conselho de ética contra o presidente do partido.

Após os questionamentos, ele foi retirado das comissões que participava na Câmara, como de Ciência e Tecnologia e de Turismo."O partido tem que ser democrático com todo mundo. E eu falo meu posicionamento. Vão fazer o que? Me expulsar? Com base em quê? Não fiz nada errado", diz Bibo.

Na análise de uma liderança do partido, os deputados do PSL parecem crianças que estavam em um parque de diversões em uma pracinha e foram levados para Disneylândia. "Ficam deslumbrados, perdidos, sem saber por onde começar ou o que fazer. Não funciona um partido desses", afirmou.

"Ninguém está vendo que esse partido está implodindo? Ninguém sabe para onde está indo, vários querem ir para outros partidos", disse um outro deputado.

Sobre a publicação no grupo do WhatsApp, Bivar disse que seu nome é "indissociável" do nome de Bolsonaro e do PSL. Ele ainda afirmou que o controle das contas públicas e a reforma tributária são os desejos convergentes no partido.

Mensagem de Luciano Bivar, presidente do PSL, aos colegas do partido no grupo de Whatsapp da bancada no Congresso

"Aos radicais e fundamentalistas, mesmo no meu desabafo emocional, seguirá minha determinação inquebrantável. É a resposta àqueles que nos agridem", afirmou em nota.

De nanico para segunda bancada

Com a eleição de Bolsonaro, o PSL saiu do status de nanico para maior segunda bancada da Câmara, com 53 assentos. Cobiçando ramificar sua influência no país, uma força-tarefa para filiação teve solicitação de filiação de 188 mil pessoas no país, em 17 de agosto.

O partido contabiliza 271 mil filiados, a meta é chegar a 1 milhão até as eleições de 2020.

"Eu sigo o Jair Bolsonaro. Os ideais que compartilho são os mesmo que os dele", disse Bibo Nunes.

Desde o começo do ano circulam rumores de que Bolsonaro poderia migrar para outro partido ou criar uma sigla. O distanciamento entre o presidente e o PSL é visível. Ele próprio não se envolveu na campanha e não fez nenhum apelo nas redes sociais para impulsionar a filiação partidária.

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da Redação

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