Eu vi o mundo, ele começa na Amazônia

Por Gabriela Barile Tavares do Jornal Correio de Góias

Foi sentada num banco de faculdade no coração da Amazônia, ainda no primeiro ano de direito, que conheci os conceitos básicos de Teoria do Estado. Esta seria uma das minhas disciplinas prediletas, até aquele momento em não saberia dizer, mas foi. E foi lendo o professor Paulo Bonavides que conheci os elementos constitutivos do Estado e me deparei pela primeira vez, com o conceito de soberania em profundidade, sem que daquele primeiro contato esquecesse. “O povo é a Constituição, a Constituição é o povo; os dois, com o acréscimo da soberania, compõem a santíssima trindade política do poder.”(BONAVIDES, 2004, P.134).

E o que seria uma nação soberana? De forma simplificada para iniciarmos as reflexões, seria a nação que tem total poder e domínio dentro de seus limites territoriais, sem qualquer influência ou comando exercido por outro Estado.

Nossa soberania sofreu ataques recentes do Presidente da França Emmanuel Macron. Tais ataques foram preocupantes sobremaneira e de gravidade extrema. Não se cogita mencionar a Amazônia como patrimônio da humanidade ou considerar sua internacionalização. Seja qual for a ideologia política do leitor, os nove Estados que compõem a Amazônia legal – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão- pertencem ao Estado Brasileiro, soberano e capaz de gerir e tomar decisões.

Além da fauna e flora riquíssimas, a Amazônia é rica em ouro, diamantes, pedras preciosas e semipreciosas, nióbio, potássio, ferro, chumbo, petróleo, gás natural, dentre outras riquezas minerais cuja menção ocasionaria falta espaço, dado ao limite de caracteres desta coluna. Dito isto, sejamos racionais ao repudiarmos a atitude do Presidente Francês. Que não nos falte racionalidade também para lidar com os problemas. Não negamos a existência das queimadas ou relativizamos os danos que causam ao meio ambiente, mas este problema deverá ser combatido pelos Brasileiros com a ajuda daqueles que não ameaçarem nossa soberania.

“Eu vi o mundo e ele começa no Recife”, diz a frase eternizada por Cícero Dias, trazendo a ideia de que nossa visão de mundo é ditada pelas nossas experiências e circunstancias. Após ter viajado um pouco – sinto que muito me falta- posso dizer que “eu vi o mundo, ele começa na Amazônia”. Na Amazônia eu nasci, cresci e constituí minhas primeiras impressões sobre a vida. É aí que começa o seu mundo também, conterrâneo amazonense ou simplesmente brasileiro. Viramos pauta mundial, mas a Amazônia nos pertence.

Gabriela Barile Tavares – É especialista em direito eleitoral pelo Instituto Brasiliense de Direito Público

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da Redação

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