Um ano depois, cúpula da campanha eleitoral de Bolsonaro se desfaz

Por Jussara Soares de O Globo

BRASÍLIA — O então candidato Jair Bolsonaro ainda estava na unidade semi-intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, onde se recuperava do ataque a faca, que completa um ano em 6 de setembro, quando a cúpula da sua campanha se reuniu em um hotel nos Jardins, na capital paulista, para discutir os rumos da corrida eleitoral. Era 18 de setembro de 2018. Quase um ano depois, metade dos 12 integrantes do encontro já não tem qualquer contato com o presidente ou mantém relação protocolar sem influência no governo.

Na foto feita pelo GLOBO naquele dia, estão o deputado Luciano Bivar, presidente do PSL, o vice-presidente da sigla, Antonio de Rueda, o senador Major Olímpio e o deputado Julian Lemos. O quarteto, embora enfatize as boas relações com Bolsonaro, está longe de transitar com intimidade no gabinete presidencial.

— A minha relação com o presidente é muito boa. Ele mantém uma ética para não misturar a liturgia do cargo com a atividade partidária —minimizou Bivar, embora interlocutores do Planalto afirmem que Bolsonaro determinou que o dirigente não tenha entrada no governo.

Já o ex-ministro Gustavo Bebianno, então presidente do PSL e coordenador da campanha, que foi demitido da Secretaria-Geral, e o ex-senador Magno Malta, que chegou a ser cotado a vice de Bolsonaro, foram alijados do Executivo.

Primeiro ministro a ser exonerado, Bebianno diz que Bolsonaro gosta do seu entorno em permanente atrito:

— Ele gosta de gerir pela discórdia. Como nutre constantes teorias da conspiração, vive com medo de ser traído.

Daquele encontro, só quatro permanecem com cargos: os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia), além de Luiz Antonio Nabhan Garcia, secretário especial de Assuntos Fundiários.

— Eu nem me escondo, nem me ofereço. Se precisar de mim, estou ali — diz Major Olímpio, que está prestes a deixar o PSL.

A reunião, convocada por Bebianno, tinha como objetivo demonstrar união. Àquela altura, com Bolsonaro fora da campanha, as divergências no grupo chegavam aos jornais. Guedes, chamado de “Posto Ipiranga”, ameaçava deixar a empreitada diante da resistência do presidente a incorporar a reforma da Previdência no discurso. Já os filhos do presidente atacavam Julian Lemos na redes sociais. Ao final do encontro, Julian chegou a se insurgir contra Eduardo, com o dedo em riste, para que parasse.

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da Redação

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