Na contramão do Planalto, Salles quer recursos de potências estrangeiras para Amazônia

Com informações de O Globo

SÃO PAULO - Na contramão do Planalto que tem negado ajuda de potências europeias para colaborar com a Amazônia, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles disse que quer os recursos para combater as queimadas e o desmatamento . A declaração foi feita nesta segunda-feira em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Pouco antes da entrevista, a Casa Civil havia anunciado que vai rejeitar a proposta de US$ 20 milhões dos países do G7. O anúncio da oferta do dinheiro foi feito pelo presidente francês Emanuel Macron.

Salles disse que "não é verdade que o Brasil não quer o dinheiro", mas ponderou que as medidas para conter o fogo foram tomadas independentemente da ajuda estrangeira, já que foram feitas por meio do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que permite que forças armadas possam agir com poder de polícia.

— Os US$ 20 milhões viriam através de equipamentos como aviões. O que me parece uma ajuda importante. O Onix é o ministro da Casa Civil. Ele tem papel político. Eu sou ministro do meio ambiente. Tenho outra visão. Acho que é preciso agregar o máximo de equipamentos possíveis para que a gente resolva isso.

Num tom mais moderado que a retórica do Planalto, Salles também negou que o governo tenha sabotado o Fundo da Amazônia, cuja finalidade é arrecadar recursos de países desenvolvidos para ações de monitoramento e prevenção. Ele disse que o objetivo de sua gestão era rever os critérios do uso das doações.

— Não sabotamos o Fundo Amazônia. Nós restabeleceremos o fundo Amazônia tão logo a gente consiga acordar as regras que propomos — disse.

Na entrevista, Salles também afirmou que o governo estuda um decreto para proibir as queimadas na Amazônia. De acordo com Salles, o presidente Jair Bolsonaro determinou que a Casa Civil busque embasamento jurídico para tomar a medida.

Salles afirmou que há dúvida, porém, sobre a competência da União para proibir fogo em áreas estaduais. O ministro disse que a sugestão foi feita pelo ambientalista Tasso Azevedo, que é coordenador técnico do Observatório do Clima e Coordenador geral do MapBiomas.

— É uma possibilidade concreta. Eu conversei isso hoje com o presidente, que logo deu essa ordem a Casa Civil. Há uma discussão do ponto de vista juridicional sobre se podemos atuar não só nas áreas federais, mas também nas terras estaduais. A Casa Civil analisa as hipóteses. Mas é o que queremos fazer — disse o ministro.

Os incêndios na Amazônia tiveram repercussão internacional desde quinta-feira, com pedidos da ONU e de líderes mundiais para proteger a floresta. O ministro reconheceu preocupação com a imagem do Brasil no mundo após o caso das queimadas no norte do país. Salles disse que planeja viajar pelos Estados Unidos e pela Europa na tentativa de reverter o desgaste e mostrar o compromisso do país com a preservação do meio ambiente.

— O que acaba se espalhando pelo mundo é uma percepção inadequada. Eu vou fazer o tour com presidente. Primeiro vou aos Estados Unidos. E em seguida vou desdobrar para Europa — disse Salles.

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

da Redação

Comentários