Rio sai da 'ressaca' pós-Olimpíada e atrai eventos que trarão R$ 4 bi à cidade

Por Bruno Rosa de O Globo

RIO - Após uma espécie de ressaca pós-Olimpíada, com crise fiscal e da indústria do petróleo, o Rio volta a sediar novos eventos .

A expectativa do setor é que a cidade termine o ano com 311 eventos , ultrapassando a marca de 288 do ano passado. Até dezembro, eles devem atrair cerca de meio milhão de turistas e já impulsionam diferentes segmentos, de hotéis à indústria de alimentos.

Entre os eventos que já ocorreram ou ainda vão ocorrer em 2019 estão o World Electronic Sports Games, que reúne fãs de jogos eletrônicos, e o Fair Saturday Rio, evento cultural de música e dança que ocorre todo sábado seguinte ao BlackFriday em mais de cem cidades no mundo simultaneamente. Será a primeira vez que o Rio vai aderir à iniciativa.

Ao lado de outros grandes eventos tradicionais, como Rock in Rio e Bienal do Livro, eles devem injetar na economia da cidade pelo menos R$ 4,1 bilhões neste ano, de acordo com estimativas do Rio Convention & Visitors Bureau (RioCVB) e da Fundação Getulio Vargas.

— O pessimismo com a crise começa a dar sinais de melhora. Só congressos e seminários vão gerar impacto na economia de R$ 2,4 bilhões, alta de 3% ante 2018 — diz Philipe Campello, diretor do RioCVB.

A lista de eventos inclui ainda o Mondial de la Bière, voltado para cervejas artesanais, e a OTC Brasil, que reúne a indústria do petróleo.

Toda essa agenda movimenta os hotéis, que já têm ocupação média de 70% neste ano, alta de 16% ante 2018. No Vogue Square Fashion Hotel, na Barra da Tijuca, já não há mais vagas para os dias de eventos, conta Isabel Giassone, gerente-geral do hotel:

— Contratamos mais de 20 pessoas, com ocupação média de 40% neste ano. Em 2018, era 25%. Passamos a atrair eventos para o hotel.

No segmento de alimentação, a rede de pizzarias Pappa Jack criou um departamento só para os eventos. Depois de participar do carnaval na Sapucaí, a rede estará no Mondial de la Bière.

— Os eventos já são 15% do faturamento. No Mondial, vamos ter capacidade para vender três mil pizzas por dia e vamos contratar 12 pessoas — afirma Jacks Chreem, diretor de Marketing da rede.

Eventos na mira. Jacks Chreem, da pizzaria Pappa Jack Foto: Fabio Rossi

Os eventos também têm ganhado novos endereços. Um exemplo é a Cidade das Artes, na Barra, que neste ano deve fechar com 50 festivais e feiras, atraindo 300 mil pessoas. Em 2018, foram 44 eventos. André Marini, presidente da Fundação Cidade das Artes, ligada à Prefeitura do Rio, diz que a receita deve chegar a R$ 4 milhões neste ano, ante R$ 3,5 milhões do ano anterior:

— Depois das Olimpíadas, o Rio passou por uma ressaca, agravada pela crise. Agora, começa a se recuperar.

Na sexta-feira que vem, começa a Bienal do Livro. Serão mais de 12 mil empregos. Tatiana Zaccaro, diretora da Bienal, espera 600 mil pessoas em dez dias:

— Serão ainda cerca de 600 autores. Estamos na ocupação máxima.

Em setembro, é a vez do Mondial de la Biére, que deve reunir 45 mil pessoas, sendo 12% de fora da cidade. Luana Copler, diretora da GL Events, que organiza o evento, destaca a parceria com o sindicato de bares para fazer uma espécie de rodada de negócios:

— O evento já entrou no calendário do Rio.

Medina: ‘turismo é vocação’

No mesmo mês, o Rock in Rio vai atrair 770 mil visitantes, dos quais 450 mil de outros estados e de 58 países. O R$ 1,7 bilhão que esse contingente de pessoas vai movimentar, diz Roberto Medina, criador do evento, é mais que o R$ 1,4 bilhão de dois anos atrás:

A vocação do Rio é o turismo. Mas é preciso uma política integrada de eventos e segurança pública. Com o Rock in Rio e o Game XP, mostramos que dá para fechar a conta sem a necessidade de recursos públicos. Por isso, a criação de um calendário de eventos precisa virar projeto de governo.

Uma das estratégias é se associar a instituições internacionais. Foi o que fez a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para a Jornada Carioca, que se associou a Baker Gordon (simpósio internacional). O evento foi realizado em agosto e atraiu mais de 1.500 pessoas, gerando R$ 5 milhões em receita para o Rio.

— Cerca de 20% do público são estrangeiros — diz André Maranhão, da Sociedade Brasileira de Cirurgia.

O setor de petróleo também é destaque. Segundo o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), serão 16 eventos em 2019, o dobro do ano passado. O maior deles será aOTC Brasil, que deve reunir 15 mil pessoas, 25% do exterior.

— A OTC faz parte do evento que ocorre em Houston . Temos ainda o TechWeek, primeiro evento brasileiro focado em tecnologia —diz Montenegro, gerente sênior de Eventos do IBP.

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da Redação

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