Santa: Empresários extorquidos e marca depreciada. Até quando?

Por Claudemir Gomes

Por mais aguardado que seja, o desfecho de uma "tragédia" é sempre muito doloroso. O cenário, pós derrota do Santa Cruz para o Náutico (3x1), ontem à noite, nos Aflitos, foi desolador do lado dos tricolores.

Por outro lado, os alvirrubros comemoravam como sendo a vitória da dignidade, pois o pré-jogo foi marcado por uma série de equívocos e insinuações que não cabiam no contexto de uma decisão tão importante para o futebol pernambucano.

Bola prá frente!

Sei muito bem que o "Day After" para os perdedores é algo intragável. Contudo, é vida que segue. E por maior que seja a dor dos tricolores, o clube precisa ser repensado e recriado já. Afinal, o Santa Cruz vai para a sexta temporada na Série C nos últimos 16 anos. Isso mesmo, já estou contando com o próximo ano, ou seja, 2020.

Série A: 2006 e 2016;

Série B: 2007, 2014, 2015 e 2017;

Série C: 2008, 2012, 2013, 2018, 2019 e 2020;

Série D: 2009, 2010 e 2011.

Muitos estão falando sobre as cinco ou seis folhas de pagamento que virão sem o clube disputar competições até meados de janeiro, quando começa o Campeonato Pernambucano. Vou mais além. Minha preocupação é com a depreciação da imagem. A partir de 2008 até 2020 serão nove temporadas entre as Séries C e D. Será que ninguém no Arruda enxerga a queda livre que o clube embarcou?

Tudo muda o tempo todo, mas nas Repúblicas Independentes do Arruda a ordem é gerir o clube como se fosse uma capitania hereditária. Nada de planejamento. Se as questões forem ligadas ao patrimônio, é só aquecer as vendas de bolo de rolo e ovos de galinha de capoeira que tudo se resolve. Se os salários estiverem atrasados, ou precisar de "bicho extra", a saída é promover um jantar por adesão. Se for necessário mais dinheiro, o vice-presidente, Tonico Araújo tem uma receita infalível: acionar o grupo de empresários que são sugados, extorquidos há mais de uma década e não conseguem ver o clube em sintonia com o novo século.

Não é justo fulanizar uma queda gradativa que perdura 20 anos. A crise pertence a todos. O desafio é fazer o "mea culpa". É enxergar a incapacidade desses amantes de gerir o clube. Não estou questionando o amor que todos sentem pelo Santa Cruz. Isto é fato inquestionável. O problema é que o amor muitas vezes inviabiliza o pragmatismo que é essencial para o sucesso do negócio futebol.

É preciso mudar o paradigma. O modelo está vencido e ninguém percebe. O Santa Cruz segue sendo tratado como produto doméstico. Uma comida caseira que não é servida no banquete maior do futebol brasileiro: a Série A. Quando exposta, retiram logo da mesa. O clube se contenta com títulos do combalido Campeonato Pernambucano.

Perder um clássico é coisa normal no futebol. O irremediável é a perda da qualidade. O Santa Cruz começa a ser avaliado como produto de terceira categoria. Esta é a ótica das empresas que investem no futebol. Afinal, os números atestam isso. Lamentável

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da Redação

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