Forças Armadas já se mobilizam para combate aos incêndios na Amazônia

Por Marco Grillo do O Globo

BRASÍLIA — O governo federal anunciou ações das Forças Armadas para o combate às queimadas que destroem a Floresta Amazônica a partir da tarde deste sábado. Até o início da tarde, requereram apoio e foi autorizado pelo presidente da República o emprego de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) nos estados de Rondônia, Roraima, Tocantins e Pará. Foram locados na região mais de 43 mil integrantes das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), que deverão atuar conforme a demanda, em coordenação com órgãos de controle ambiental e de segurança pública.

Já há ações em andamento em Rondônia. Dois aviões, cada um deles com capacidade de transportar 12 mil litros de uma mistura de água e produtos químicos, já estão em Porto Velho (RO). Entre as Organizações militares de Rondônia, foram designadas para reforçar o combate aos incêndios florestais a 17ª Brigada de Infantaria de Selva, situada em Porto Velho, a Delegacia Fluvial de Porto Velho e o Centro Regional de Vigilância (CRV), órgão pertencente ao SIPAM, também situado em Porto Velho.

Equipes da Força Nacional, que ajudarão no combate ao incêndio na Amazônia, embarcam na Base Aérea de Brasília Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil / Divulgação

Segundo informações do Ministério da Defesa, um helicóptero do Ibama já havia decolado de Cuiabá para apoiar as ações em Porto Velho, na manhã da sexta-feira (23). Neste sábado, quatro aeronaves de combate a incêndio da ICMBio foram enviadas ao estado de Rondônia. No domingo, a Força Aérea Brasileira transportará, de Brasília para Porto Velho, 30 bombeiros da Força Nacional de Segurança Pública aos locais das queimadas.

Além de Rondônia, Roraima, Tocantins e Pará , há expectativa de que slicitações para o emprego da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) sejam feitos por parte dos governos do Acre e de Mato Grosso cheguem nos próximos dias.

Não há previsão de envio de homens das Forças Armadas de outros estados para a Amazônia Legal. O efetivo a ser usado é aquele que já atua na Região Norte. Para as ações nas proximidades de Porto Velho, há a possibilidade de emprego de 400 homens, segundo o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Uma entrevista coletiva na manhã deste sábado reuniu Azevedo e Silva, Salles e o tenente brigadeiro Raul Botelho, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

— Não vamos levar tropa efetiva daqui para lá. Em Porto Velho, há a sede da Brigada de Infantaria de Selva, com cerca de 700 homens. Dependendo do planejamento, pode-se usar cerca de 400 homens. É suficiente – disse o ministro da Defesa. — É importante a adesão dos governos estaduais, senão vamos ficar limitados às áreas federais, que são as Unidades de Conservação e e as terras indígenas.

“É importantíssima a participação dos estados. Enfrentamos até agora muita dificuldade com esse suporte estadual” RICARDO SALLES ministro do Meio Ambiente

O discurso foi corroborado por Salles:

— É importantíssima a participação dos estados. Enfrentamos até agora muita dificuldade com esse suporte estadual. Agora isso se torna ainda mais importante.

Ainda segundo Azevedo e Silva, além dos Estados Unidos, Chile e Equador já se dispuseram a ajudar nas ações, mas ainda não houve movimentos concretos . Ele disse que a conversa entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, ficou no nível da “intenção”. A previsão é que a primeira ação de combate ao foco sob a coordenação das Forças Armadas aconteça às 16h30m deste sábado, com o uso de uma aeronave do modelo C-130. Ao todo, seis aviões e um helicóptero foram deslocados para Rondônia. Também foram levadas para o centro da crise 18 pessoas para cuidar da comunicação social. O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, disse que “a área de comunicação é muito importante nesse momento que estamos vivendo”.

Azevedo e Silva acrescentou que está “combinado” com o Ministério da Economia o desbloqueio dos R$ 28 milhões que estão previstos no orçamento da pasta este ano para ações da GLO. Segundo ele, a sinalização foi dada em uma reunião na sexta-feira, pelo secretário-executivo da Economia, Waldery Rodrigues.

— Está combinado. Estou numa fase em que só acredito quando abrir o cofre e ver. Com o Paulo Guedes (o acerto). Ontem, na reunião com o presidente da República, estava o secretário Waldery, e ele falou isso, que o mais fácil era descontingenciar — disse Azevedo e Silva.

Ricardo Salles afirmou que há um saldo de pouco mais de R$ 1 bilhão no Fundo Amazônia, e que os recursos estão sendo usados também pelo Ministério do Meio Ambiente nas ações contra as queimadas. Salles negou que o governo tenha demorado a agir para conter os focos de incêndio.

— As queimadas ocorrem justamente agora no período seco, questão de 30 dias para trás. Foi nesse momento quente e seco que se iniciaram as queimadas (em maior volume). Portanto, a resposta dada às queimadas foi absolutamente tempestiva.

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da Redação

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