Setor do turismo teme por repercussão internacional de queimadas na Amazônia

Por Henrique Gomes Batista do O Globo

FOZ DO IGUAÇU E SÃO PAULO — Além do agronegócio, o setor de turismo teme impactos com a crise mundial provocada pelo aumento das queimadas na Amazônia. Em um momento que o segmento começa a comemorar a alta de estrangeiros no país, beneficiados pelo fim da exigência de visto para americanos, japoneses, canadenses e australianos, a piora da imagem do país em razão da questão ambiental é vista como um golpe por associações.

— Não tem como negarmos a repercussão mundial de notícias como essas. É um tema muito complicado. O turismo vive muito de imagem, de marketing, que às vezes podem ser positivos, negativos, justos e injustos — disse Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem. — Já recebemos pouco turistas do exterior, não tivemos o “boom” previsto após a Copa do Mundo e as Olimpíadas, agora tende a ficar mais difícil.

Nassar afirma, contudo, que ainda é cedo para tentar dimensionar o impacto no setor, que, segundo ela, deveria ser incentivado por facilmente conseguir aquecer a economia, sem a necessidade de muito investimento. Em sua opinião, as notícias ruins não devem levar a cancelamento de passagens, mas podem afetar projetos futuros:

— Eu diria que tende a reduzir ou anular os ganhos que estamos tendo com o fim da exigência de visto para americanos, japoneses, canadenses e australianos — lembra ela, que conta que em 2018 o país recebeu 6,5 milhões de turistas estrangeiros, e que a meta do governo e elevar este número para 12 milhões.

Ecoturismo é chamariz para turistas

Os estrangeiros correspondem a 30% dos passageiros de voos internacionais das companhias brasileiras, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas Aéreas Abear. Um estudo do Ministério do Turismo, baseado em dados de 2018, aponta que, para 65,7% dos japoneses, o ecoturismo e o interesse na natureza foram a principal motivação da viagem. Os temas ambientais também trazem 71,2% dos chineses, 34,7% dos canadenses, 30% dos americanos e 28,6% dos australianos que visitam o Brasil por lazer.

Salvador Saladino, presidente da Associação Brasileira de Turismo Receptivo Internacional, concorda que as noticias afetam ao setor, mas minimiza os impactos.

— As viagens já programadas com os nossos associados permanecem intactas — disse ele. — No que diz respeito às queimadas que assolam a parte amazônica de Rondônia é uma desgraça ambiental que, guardadas as devidas proporções, já aconteceram em Portugal, Grécia, Espanha, França e Croácia.

Em Foz do Iguaçu, parte dos empresários do turismo está apreensiva com as queimadas, uma vez que o destino é vendido como um ponto de ecoturismo e preservação. Embora prefiram falar sob sigilo, para não criar atritos com o governo federal, eles dizem temer que parte dos turistas prefira países onde a marca ambiental está melhor consolidada, como Costa Rica, Colômbia e Peru.

— Eu vim ao Brasil pela facilidade de não ter que tirar o visto. Mas só topei vir até Foz (do Iguaçu) . Desculpe, não quero ofender, mas minha família está preocupada com a violência — afirmou Sarah Jafferali, professora de 30 anos, de Nova York. — E agora que chego aqui tem essa questão ambiental. Vi que em Foz do Iguaçu tudo é muito preservado, mas é ruim pro país, né?

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da Redação

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