Candidato da oposição, Fernandéz diz que 'não há chances' de a Argentina dar calote caso seja eleito

Com informações do O Globo, com agências internacionais

BUENOS AIRES - O candidato da oposição , Alberto Fernández , que nas eleições primárias obteve uma grande vantagem sobre o presidente argentino Mauricio Macri , afirmou nesta quinta-feira que vai pagar a dívida do país, ao mesmo tempo que tenta tranquilizar os investidores que temem que seu governo implemente controles de capital.

Favorito a vencer as eleições para a Presidência , Fernández acrescentou que está mais preocupado com o vencimento da dívida em 2021 do que no ano que vem, e ressaltou que "não há nenhuma chance" de a Argentina dar um calote caso ele seja eleito . Na terça-feira, o novo ministro da Fazenda da Argentina, Hernán Lacunza, prometeu estabilizar o câmbio e cumprir as metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

- Não há possibilida de que a Argentina entre em default se eu for presidente - disse Fernandez em um evento em Buenos Aires, acrescentando que os controles de capital também não são a solução. - Já experimentei um default e isso é muito prejudicial para a sociedade. Ninguém poderia querer um calote como solução.

Fernández, que com o resultado das primárias deste mês está perto de alcançar uma vitória no primeiro turno das eleições gerais de outubro, acrescentou que o país precisaria negociar com os credores para cumprir com suas obrigações. Ele inclusive já tranquilizou o presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ' não pensa em fechar a economia ' do seu país.

Os investidores se afastaram dos títulos argentinos por medo de que Fernández reestruture a dívida da Argentina caso vença as eleições de 27 de outubro.

Na quarta-feira, dois de seus assessores econômicos se encontraram com o novo ministro da Fazenda do país, Hernán Lacunza, e disseram que Fernández vai procurar um "modelo econômico alternativo" para as políticas do atual governo.

O peronista de centro-esquerda Fernández tem criticado o acordo de US$ 57 bilhões feito com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no ano passado e as medidas de austeridade que foram impostas na esteira desse acordo. O candidato pediu ao governo para renegociar a linha de crédito recorde com o Fundo, admitindo que é impossível pagar o empréstimo a tempo. Se eleito, Fernandéz planeja "retrabalhar" esse acordo:

- Quando falo em recomeçar a economia ... estou falando em conseguir os dólares para cumprir essas obrigações. E então teremos que conversar com os credores para ver como resolveremos a questão, porque se a Argentina pagasse as obrigações sob as condições atuais, dificilmente conseguiria.

Fernández negou ser contra o histórico acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) fechado em junho, mas disse que o texto possui "uma série de pontos" que precisam ser analisados.

- Irei analisá-los como forma de garantir que nenhum acordo que assinemos com a UE ou qualquer outro mercado acabe afetando nossa produção - disse Fernández.

Depois das primárias, o medo de um calote dívida argentina disparou no mercado financeiro, onde muitos temem que um possível governo de Fernández esteja menos disposto a honrar a dívida, que cresceu consideravelmente durante a administração de Macri.

As preocupações são baseadas em algumas declarações sobre o sistema financeiro que o adversário fez na campanha eleitoral e pelo fato de sua candidata a vice-presidente é a ex-presidente Cristina Kirchner, que durante seu governo teve um amargo conflito com os credores da Argentina.

Dia mais calmo nos mercados

O mercado financeiro doméstico tendeu a mostrar maior tranquilidade nesta quinta-feira, após dias de fortes perdas de ativos e uma desvalorização cambial incomum de até 25%. O peso argentino se manteve estável, sendo cotado no patamar de 55,07 para cada dólar; o mercado de ações avançou 0,6%; os títulos registravam ganhos de 0,4%; e o risco-país caiu 41 unidades, para 1.774 pontos-base.

A terceira economia latino-americana está passando por uma recessão combinada com altas taxas de inflação desde a crise de confiança no ano passado e levou o governo Macri a pedir um pacote de ajuda de US$ 57 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

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da Redação

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