Foragido da Justiça brasileira, Rei Arthur leva vida com hábitos de luxo em Miami

Com informações do O Globo

RIO - Foragido da Justiça brasileira, o empresário Arthur Soares , acusado de atuar em licitações fraudadas e de pagar propinas na gestão do ex-governador Sérgio Cabral , foi localizado nos EUA pela reportagem do “Fantástico”, da TV Globo. O “Rei Arthur” , apelido que ganhou devido à influência no governo Cabral, vive em uma residência na ilha de Miami Beach , na Flórida. Segundo a reportagem, o empresário leva uma vida com hábitos de luxo e circula livremente pelas ruas.

Arthur Soares é alvo de um pedido de extradição feito pelo Ministério Público Federal (MPF) às autoridades americanas em 2017. À época, o empresário foi acusado, na Operação Unfairplay, de pagar propinas a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que o Rio fosse eleito sede dos Jogos Olímpicos de 2016 . O governo dos EUA, porém, não atendeu o pedido do Brasil.

De acordo com a reportagem do “Fantástico”, Arthur se mudou nos últimos meses da residência onde morava, em um condomínio de luxo na ilha de Key Biscayne, para uma casa em Miami Beach, outra ilha localizada junto à costa de Miami. A nova moradia tem acesso direto para rua, reforçando a integração de Arthur Soares à cidade. A reportagem flagrou “Rei Arthur” fazendo compras, praticando corrida e passeando a pé e de carro pelas ruas de Miami.

Segundo a reportagem, Arthur mantém uma vida de alto padrão nos EUA. O veículo usado pelo empresário, de uma fabricante italiana, é avaliado em R$ 530 mil no Brasil. Os registros do estado da Flórida confirmam que o carro pertence a Arthur Soares, segundo o “Fantástico”. Arthur também foi visto em um restaurante japonês onde as refeições custam, em média, R$ 300 por pessoa.

A reportagem também localizou imóveis ligados a Arthur Soares em oito endereços diferentes. Quatro deles foram sedes de pelo menos 14 empresas. Além da residência em Miami, o “Rei Arthur” tem uma casa na estação de esqui de Aspen, no estado do Colorado, também nos EUA, e um apartamento em Paris, capital da França. Após ser alvo de investigações do MPF, Arthur transferiu as empresas que tinha para o nome dos filhos. Segundo a reportagem do “Fantástico”, no entanto, ele segue dando expediente em um prédio em Miami onde funcionam cinco dessas empresas.

Ao ser abordado pela reportagem, durante uma caminhada em Miami, Arthur Soares não quis se pronunciar. O empresário ficou calado quando perguntado por que não se apresentou à Justiça brasileira e se comprou votos na eleição olímpica do Rio.

Propina olímpica

Dono do grupo Facility, Arthur Soares era um dos principais prestadores de serviços terceirizados no governo Cabral, em áreas como limpeza, segurança, alimentação e saúde. Segundo investigação do Ministério Público do Rio (MP-RJ), a Facility participava de licitações fraudadas e depois repassava valores dos contratos, de forma ilícita, a autoridades do Legislativo e do Executivo fluminense. Os contratos do empresário com o governo do Rio chegaram a totalizar R$ 3 bilhões na gestão de Cabral.

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, em julho deste ano, Cabral admitiu ter comprado votos para a candidatura olímpica do Rio, no valor de U$ 2 milhões. O ex-governador disse que pediu a Arthur Soares que combinasse o pagamento com Leonardo Gryner, braço-direito do então presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman. Segundo Cabral, a verba seria descontada do “crédito” que tinha com o empresário — isto é, de parte das propinas que o ex-governador receberia do “Rei Arthur”.

O acerto do pagamento ocorreu, segundo o MPF, em Paris, em setembro de 2009, dias antes do evento que ficou conhecido como “Farra dos Guardanapos”.

Em nota enviada ao “Fantástico”, a defesa de Arthur Soares afirmou que não se manifesta sobre casos em andamento na Justiça. Os advogados do empresário também têm afirmado que ele, embora foragido, está à disposição das autoridades.

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da Redação

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