Roberta Sudbrack se emociona com a proximidade com o público no Papo de Cozinha

Por Isabelle Lindote do O Globo

Afeita a quebras de protocolo, Roberta Sudbrack não se fez de rogada: ao ver que a mesa da qual falaria sobre sua carreira para o público no Papo de Cozinha, novo espaço do Rio Gastronomia, estava em cima do palco, pediu ajuda a equipe para descê-la. E foi assim, olhando nos olhos dos presentes, que a chef gaúcha contou um pouco de sua trajetória desde a venda de cachorros-quentes em Brasília até a abertura do Sud, o pássaro verde, em julho do ano passado, atual melhor brasileiro da cidade.

- Não somos roqueiros, pop stars.Somos cozinheiros. Costumo dizer que o meu mise en place, o pré-preparo necessário a todo restaurante, não começa na cozinha, mas sim no quintal dos meus produtores. E é assim que quero estar também com os clientes - explicou a chef.

Uma das mais premiadas chefs do país, Sudbrack começou sua trajetória vendendo os cachorros-quentes feitos pela avó, em Brasília. De zero a esquerda na cozinha passou a autodidata das panelas e chegou ao comando executivo dos fogões do Palácio da Alvorada, responsável pelos menus do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Deixou a capital do país rumo ao Rio de Janeiro e, pioneira, abriu o primeiro restaurante contemporâneo com menu fechado da cidade, o RS, há treze anos.

- Tudo começou com a minha avó, que sem dúvida foi e é a pessoa mais importante da minha vida. E foi dela que fiquei a resposta à pergunta que eu nem eu mesmo sabia qual era. Eu estava angustiada e não tinha certeza do porquê. Foi quando ela, já pouco lúcida e doente, me disse: “Se você está fazendo alguma coisa errada, pare e comece tudo de novo”. Foi aí que decide fechar o RS, em 2017, onde eu ficava muito distante das pessoas, e me dedicar a lugares onde eu pudesse estar assim, como agora, próxima de vocês - contou, emocionada.

O início dessa inquietação foi justamente no Rio Gastronomia de 2014, quando ela criou um dos primeiros food trucks da cidade, o SudTruck, e sentiu o calor do público mais de perto. Em 2015, as filas recordes e a possibilidade de entregar os sanduíches nas mãos de cada cliente fizeram esse incômodo crescer. Foi aí que nasceu o Da Roberta, bar de comidinhas de rua que ocupa uma esquina da rua Tubira, no Leblon.

- Tanto no Da Roberta quanto no Sud mantenho os meus princípios de trabalhar com ingredientes de alta qualidade, me preocupando desde a origem até chegar ao cliente. Gastronomia brasileira é afeto, estimula lembranças e nos transporta para momentos bons da vida. É isso o que eu busco. No Sud fazemos alta gastronomia de outra forma. Simplificamos o serviço, abrimos mão de manobristas, mas seguimos comprometidos com a técnica e o sabor de cada preparo. Eu não ligo para o pescador que me atende e peço um pargo. Eu pergunto o que ele tem de mais frescor e ofereço a quem vem nos visitar. O eixo de tudo é o afeto - pontua.

O bate-papo teve ainda a participação da contadora de histórias Juliana Franklin, que abriu a conversa com um conto chamado “La Bruja”, de um livro de histórias populares mexicanas, e encerrou o encontro lendo o texto escrito por Sudbrack que os comensais encontram em todas as mesas do Sud. No conto, uma bruxa encantadora foge da prisão em um pássaro desenhado com carvão na parede. No texto de boas-vindas do restaurante, a chef apresenta a casa e termina incitando que sejam todos “ bem livres”. Fez-se o encontro.

Realizado pelo GLOBO com apresentação do Sesc RJ e do Senac RJ, o evento tem patrocínio master de Santander e patrocínio de Stella Artois, Pão de Açúcar, Coca-Cola e Vivo. O Rio Gastronomia tem ainda o apoio de Azeite Andorinha, Naturgy, Gosto da Amazônia, Unimed-Rio, Amázzoni Gin, Magnésia de Phillips Tabs e Água Pouso Alto, Orfeu Cafés Especiais como Café Oficial e parceria com Sindicato de Bares e Restaurantes (SindRio).

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

da Redação

Comentários