Em meio a crise política, ministro da Fazenda da Argentina renuncia

Com informações do O Globo

BUENOS AIRES - Depois de três dias de fortes rumores, a saída do ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, foi confirmada neste sábado à noite. Segundo o jornal La Nación, ele será substituído pelo ministro da Economia da Província de Buenos Aires, Hernán Lacunza. O jornal informa ainda que o nome de Lacunza já havia sido mencionado como uma alternativa para assumir a pasta da Fazenda desde a última quinta-feira, quando começaram a circular os boatos sobre mudanças no gabinete de Mauricio Macri.

Hernán Lacunza foi escolhido como ministro da Economia da Província de Buenos Aires depois que Maria Eugência Vidal assumiu como governadora, em dezembro de 2015. O novo titular da pasta também é bem próximo do presidente do Banco Central, Guido Sandleris.

Lacunza estava de férias, em Neuquén, na Patagônia, quando recebeu um telefonema do presidente, retornando às pressas para Buenos Aires em um voo. Até esta manhã, o economista de 50 anos ainda não conhecia o seu futuro. Ele já exerceu cargos públicos nos governos de Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner, Cristina Kirchner e do próprio Macri.

A renúncia acontece em meio à aguda crise no governo, desencadeada pela derrota de Macri nas eleições primárias na semana passada. A chapa de Alberto Fernández e da ex-presidente Cristina Kirchner obteve uma significativa vantagem sobre Macri no pleito, de mais de 15%, e é favorita para vencer no primeiro turno nas eleições presidenciais em outubro. Esta foi a primeira mudança no gabinete desde as primárias.

A semana foi turbulenta na economia da Argentina. O peso sofreu uma desvalorização de 19,91% em cinco dias, enquanto a Bolsa de Buenos Aires acumulou queda de 31,44% na semana.

Na carta de renúncia, entregue a Macri, em um texto curto e pessoal, sem formalismos, Dujovne recenheceu que foram cometidos erros, mas afirmou que fizeram todo o possível para corrigi-los.

"No dia de hoje, decidi apresentar minha renúncia ao cargo de Ministro da Fazenda da nação, que exerço desde 2017. E o faço convencido de que, em virtude das circunstâncias, a gestão necessita de uma renovação significativa na área econômica", diz, em um texto curto, de cinco parágrafos.

"Eu também considero que minha renúncia é consistente com pertencer a um governo e espaço político que ouve as pessoas, e age desta maneira".

No parágrafo seguinte, acrescentou: "Como bem sabe, investi tudo de mim, tanto pessoal como profissionalmente, para contribuir para a construção de uma Argentina diferente, moderna e integrada com o mundo, plural e com os equilíbrios macroeconômicos necessários para o desenvolvimento sustentável".

"Conseguimos conquistas na redução do déficit e dos gastos públicos, na redução de impostos distorcidos nas províncias, na recuperação do federalismo. Também, sem dúvida, cometemos erros, que nunca hesitamos em reconhecer e fizemos o melhor que pudemos para corrigir".

Segundo o jornal, é esperado que a maior parte da equipe continue trabalhando na pasta.

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da Redação

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