Em dois dias, argentinos sacam US$ 700 milhões dos bancos

Com informações da Bloomberg e O Globo

BUENOS AIRES - Os argentinos estão retirando dólares dos bancos e preferindo mantê-los em casa desde que a derrota do presidente Maurício Macri nas eleições primárias provocou a queda do peso . Os poupadores retiraram mais de US$ 700 milhões de suas contas em dólares na segunda e terça-feiras, segundo dados oficiais.

O montante é equivalente a 2,3% do total de depósitos feitos com a moeda americana no sistema financeiro. Representa também, em termos percentuais, o maior volume resgatado em mais de cinco anos.

Na quinta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Brasil pode sair do Mercosul caso a oposição vença a eleição presidencial da Argentina, em outubro, e mude a política de abertura comercial de Macri. Caso o Brasil deixe o bloco comercial, até preço do pãozinho seria afetado , afirmam analistas.

Embora estejam acostumados com crises cambiais, muitos argentinos ainda estãos traumatizados com o chamado 'corralito' - as medidas econômicas implementadas em 2001 pelo governo para congelar contas bancárias e evitar as retiradas de dólares.

Esses dólares são considerados parte das reservas externas brutas do banco central, e as retiradas ajudam a explicar por que as reservas caíram US$ 2,6 bilhões nesta semana, chegando a US$ 63,7 bilhões.

As reservas estrangeiras também estão caindo porque a autoridade monetária está vendendo dólares para reforçar o peso - somente esta semana, US$ 503 milhões foram utilizados em intervenções no mercado monetário.

Espera-se que a Argentina, nesta sexta-feira, utilize US$ 500 milhões adicionais de suas reservas para pagar títulos do Tesouro, conhecidos como Letes, prestes a vencer.

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da Redação

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