Moradores do Poço da Panela protestam contra construção de Atacado dos Presentes no bairro

A área tem 12,1 metros quadrados e a autorização da construção está tramitando na Prefeitura do Recife

Um protesto montado por moradores de Casa Forte será realizado nesta sexta-feira (16), a partir das 15h, na Av. 17 de Agosto, no número 2069, contra um projeto que ameaça toda a tranquilidade do bairro, e adjacentes na Zona Norte. O movimento é contra o novo empreendimento do grupo Carrefour que pretende ocupar uma área ociosa na esquina entre a Avenida 17 de Agosto e a Rua Dr. Seixas com um novo Atacado dos Presentes. A área tem 12,1 metros quadrados e a autorização da construção está tramitando na Prefeitura do Recife e já foi aprovado em algumas instâncias, como no Instituto da Cidade Pelópidas Silveira, responsável pela análise de empreendimentos de impacto no Recife.

“É um projeto muito agressivo. Casa Forte é um bairro muito tranquilo, isso é uma identidade, um patrimônio que temos que preservar. Isso pode inclusive afetar o clima do local, no Poço da Panela, por exemplo, o microclima é dois, três graus a menos que na Av. 17 de agosto", pontua o organizador do movimento contra o atacadão, o estudante de direito Ricardo Bandeira, 21. O estudante lembra também que quem mora no Poço do Panela busca de refúgio e distância do caos da cidade. "Grande parte dos moradores da região acredita que esse é um projeto maléfico para um bairro que é calmo, agradável, tranquilo", destaca Ricardo.

Ricardo Bandeira de Melo está encabeçando manifestação contra empreendimento. Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP Foto.

Para o líder do movimento, o projeto deveria ter mais sentido com o ambiente que é o bairro de casa forte, valorizando o verde e interagindo com a população de uma forma não comercial, que pode superlotar o movimento do bairro. "Um terreno desse tamanho, arborizado como é, com árvores de 40, 60 anos, deveria receber um projeto de interesse coletivo, como um parque, que conviva com a realidade do bairro. Mas nós não fomos ouvidos”, acrescenta Ricardo. Segundo ele, os moradores têm registro de imagens de árvores sendo retiradas do terreno desde que souberam do projeto, há quatro meses.

Informações publicadas no Portal do Licenciamento Urbanístico da Prefeitura do Recife, abertas ao público, mostram que o projeto apresentado até então está dentro da legalidade, embora as legislações nas quais o documento se baseia sejam de mais de duas décadas atrás e não reflitam as novas dinâmicas e demandas urbanas.

O Poço da Panela está inserido dentro da Área de Reestruturação Urbana (ARU), de acordo com a Lei Municipal nº 16.719/2001 (conhecida como a Lei dos 12 Bairros), que prevê restrições para novas edificações. Mas esse trecho onde está localizado o terreno 2069 não está na faixa do setor de preservação rigorosa nem de preservação ambiental, embora esteja muito próximo ao Rio Capibaribe e abrigue antigas construções.

O projeto prevê a construção de cinco pavimentos, sendo dois deles no subsolo e três para cima do terreno. A altura do prédio será de 12 metros, a máxima permitida para esse trecho do Poço da Panela.

Dos 12,1 mil m² de terreno, 60% (7,3 mil m²) será de solo natural, também dentro do que diz a Lei dos 12 Bairros. Apesar disso, segundo o projeto, três árvores serão retiradas. Os cinco pavimentos terão uma área total construída de 21 mil m². O Atacado dos Presentes deu entrada no projeto em março deste ano.

Em nota, a Prefeitura do Recife limitou-se a dizer que “a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife (Semoc) informa que o projeto em questão ainda está com a análise em tramitação e, portanto, não está aprovado. A aprovação só será possível caso o mesmo esteja em acordo com todas as legislações urbanísticas e ambientais”.

O blog entrou em contato com Grupo Luna, que responde pelo Atacado dos Presentes, via telefone e email, mas não obteve resposta.ti

População não foi consultada e quer um parque no terreno. Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP Foto.
Rua Dr. Seixas vai receber todo o fluxo de veículos, incluindo os de carga e descarga, lixo e gás. Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP Foto.

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da Redação

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