Presidente da Eletrobras diz que acordo com Paraguai sobre Itaipu sofreu 'uso político'

Com informações do O Globo com Reuters

SÃO PAULO - Um acordo assinado entre Brasil e Paraguai sobre a contratação da energia produzida pela hidrelétrica binacional de Itaipu foi alvo de "uso político", mas as negociações entre as partes por um novo acerto já foram retomadas, disse nesta quinta-feira o presidente da Eletrobras , Wilson Ferreira Jr. O acerto acabou cancelado após gerar polêmica no país vizinho, onde políticos chegaram a ameaçar de impeachment o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez.

A Eletrobras é responsável pela gestão de Itaipu no Brasil, papel exercido no Paraguai pela também estatal Ande, e as negociações que levaram ao acordo anterior haviam envolvido técnicos das empresas e os ministérios de Relações Exteriores dos dois países, explicou o executivo.

O Ministério de Minas e Energia brasileiro e o Itamaraty disseram na semana passada que o acordo tornado sem efeito tinha como objetivo reequilibrar a divisão da energia da usina entre os países, "de modo que cada parte pague pela energia que efetivamente consome", e que Brasil e Paraguai continuarão buscando a "correção dos eventuais desequilíbrios".

— Talvez a gente possa entender. Itaipu... não tem uma relevância absoluta no PIB brasileiro, mas tem sim no caso do Paraguai... houve esse uso político perturbador, deu-se um passo atrás, mas vai se continuar perseguindo esse processo — disse Ferreira, ao participar de evento com investidores em São Paulo.

Na ata diplomática assinada em 24 de maio passado e depois cancelada, o Paraguai aceitava comprar mais energia cara de Itaipu (e menos da chamada energia excedente, que é mais barata), como pedia o Brasil. Isso levou a oposição do país a acusar o presidente, seu vice e seu ministro da Fazenda de traição à pátria e pedir o impeachment. Por falta de votos, o pedido não prosperou.

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da Redação

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