Governo Bolsonaro teme que derrota de Macri atrapalhe abertura comercial do Mercosul

Por Eliane Oliveira do O Globo

BRASÍLIA — O governo brasileiro vê com preocupação o resultado da prévia da eleição presidencial argentina, realizada no domingo, que indica uma vitória da chapa da ex-presidente Cristina Kirchnersobre o atual presidente, Maurício Macri , nas eleiçoes presidenciais de 27 de outubro. O presidente Jair Bolsonaro vem há meses fazendo declarações em favor de Macri e contra a volta de Cristina ao poder.

Uma das razões para o sinal de alerta é que Macri e Bolsonaro têm em comum um projeto de reduzir pela metade, a partir do ano que vem, as alíquotas de importação da Tarifa Externa Comum (TEC) usada peloMercosul no comércio com países que não fazem parte do bloco. Na hipótese de Cristina — vice da chapa liderada pelo peronista Alberto Fernández — vencer e decidir não seguir essa estratégia, o Brasil poderá seguir sozinho no processo de abertura comercial, o que significaria o fim da TEC.

— É sempre complicado um processo eleitoral em um país do Mercosul onde a chapa eleita não esteja totalmente alinhada com a estratégia estabelecida pelos sócios. A melhor postura, no momento, é termos um pouco de precaução antes de fazermos declarações antecipadas e esperarmos o resultado. Certamente, vamos nos sentar e decidir o melhor caminho. Nossa expectativa é que o presidente Macri vença as eleições, para que a gente consiga seguir no processo de melhora do bloco — disse o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, após participar de um seminário sobre defesa comercial promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química e a Fundação Getúlio Vargas.

Ferraz admitiu que a possibilidade de o Brasil reduzir unilateralmente suas tarifas está sobre a mesa, embora não seja um processo simples. Mexer com as alíquotas sem a concordância dos demais sócios seria o fim da TEC, mas não do Mercosul, observou o secretário.

— O que estaria em discussão seria a flexibilização das regras do bloco, o que permitira ao Brasil seguir sozinho e acabaria com a TEC. Mas isso não significaria o fim da área de livre comércio — afirmou.

Segundo Ferraz, já existe um processo de abertura comercial em curso no Brasil que independe do andamento das reformas constitucionais no Congresso, como as da Previdência e a tributária. Ele citou como exemplos os acordos de livre comércio entre Brasil e México e Mercosul e União Europeia. Também mencionou a própria reforma pela qual passará o bloco sul-americano.

— Nosso processo de inserção internacional já vem ocorrendo. As reformas necessárias para o equilíbrio fiscal e redução do custo brasil não importantes, mas não são precondições — disse.

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da Redação

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