Para senadores, agrément de Trump a Eduardo Bolsonaro não muda votos

Por Tales Faria do O Globo

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse ao blog que já há maioria para barrar a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) a embaixador do Brasil nos EUA, independentemente do agrément do presidente norte-americano, Donald Trump, ao filho do presidente brasileiro.

"Nenhum dos senadores que se decidiu por votar contra a indicação voltará atrás por causa do Trump", disse Randolfe.

O PSD não é governo nem oposição a Bolsonaro no Senado. O líder do partido, Otto Alencar (BA), afirma:

"A concordância do Trump não deve alterar o voto de nenhum senador. A bancada do PSD estará liberada a votar como desejar. Nada tenho de pessoal contra a figura do deputado, mas por entendimento técnico e até por respeitar e prestigiar os que fazem a difícil carreira diplomática, tenho posição contrária à indicação", disse.

Também o PSDB deverá liberar a bancada. Mas o líder do partido, Roberto Rocha (MA), sempre foi um defensor da indicação de Eduardo Bolsonaro e continuará sendo: "Embaixador é um interlocutor. Claro que, se há boa relação com ambos os lados, muito melhor e mais fácil será a embaixada", argumenta.

Mas tucanos de peso, como José Serra (SP) e o relator da reforma da Previdência, Tasso Jereissati (CE), por exemplo, continuam contrários ao nome de Eduardo Bolsonaro.

Randolfe Rodrigues diz que seu partido está só esperando a chegada oficial da indicação do nome do deputado ao Senado para apresentar uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) no Supremo Tribunal Federal e uma ação popular na Justiça Federal de 1ª Instância.

As ações se baseiam no artigo 37 da Constituição e na súmula vinculante número 13 do STF.

O artigo 37 estabelece que a nomeação para cargos públicos tem que obedecer aos princípios da impessoalidade, moralidade e eficiência. E a súmula vinculante estabelece como nepotismo "a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau" para cargos administrativos.

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

da Redação

Comentários