Ministro defende exploração de petróleo na foz do Amazonas

Por Paulo Celso Pereira do O Globo

BRASÍLIA. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, defendeu na noite desta terça-feira a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. Em dezembro do ano passado, o Ibama indeferiu a licença para que a petrolífera francesa Total explorasse a região. Segundo o órgão, um eventual vazamento poderia impactar a biodiversidade marinha e os recifes do local, além de haver "profundas incertezas" sobre o plano de emergência da companhia.

Em um jantar promovido pelo site Poder 360, Freitas afirmou que o debate ambiental está sendo feito de forma ideológica e apaixonada.

— A discussão tem que ser mais técnica, mais racional. Por que a gente não pode explorar petróleo na foz do Amazonas, se a Guiana, do lado, está explorando? Essa empresa opera no mundo inteiro com segurança. É de se espantar a ideia de que ela seja incapaz de apresentar estudos ambientais que sejam aprovados. O poço de petróleo só vai gerar riqueza e benefício para a sociedade se ele for explorado. Nós vamos condenar o estado do Amapá ao subdesenvolvimento? Se for para fazer voto de pobreza é melhor fazer de castidade e de obediência também, porque aí pelo menos a gente salva a alma — criticou o ministro.

Tarcísio de Freitas defendeu que o país acelere a exploração petrolífera antes que o óleo perca importância no cenário global. Segundo ele, o Brasil tem hoje 30.000 poços de petróleo, enquanto a Argentina tem 60.000 e os Estados Unidos todos os anos perfuram outros 60.000.

— Nós estamos sentados numa riqueza imensa esperando o valor no tempo acabar. A idade da pedra não acabou por falta de pedra, assim como a idade do óleo não vai acabar por falta de óleo. Está todo mundo explorando. O que nós estamos esperando?

O ministro criticou também a demora na concessão das licenças ambientais em outros setores, citando como exemplo a linha de transmissão entre Manaus e Boa Vista. Roraima é o único estado da federação que não está conectado ao sistema interligado nacional e sofre periodicamente com desabastecimento.

— Temos que fazer uma linha de transmissão que foi contratada há cinco ou seis anos e não conseguimos. O impacto ambiental é baixíssimo, não tem coisa mais fácil. Basicamente o que vou desmatar são as bases das torres. A linha de transmissão está na faixa de domínio da BR-174, que cruza a reserva indígena. Fazer a linha custa R$ 1,5 bi; e não fazer custa R$ 1,5 bi por ano, que é o que a gente gasta de combustível, conta que todo brasileiro paga.

Tarcísio de Freitas defendeu ainda a liberação para que os indígenas possam explorar comercialmente seus territórios. Para efeito de comparação, lembrou que há hoje 113 milhões de hectares de terras indígenas no Brasil, enquanto em apenas 9 milhões de hectares o Mato Grosso produz por ano 65 milhões de toneladas de grãos.

— A maioria dos índios já foi incorporada à nossa sociedade. O índio quer crescer, ficar rico, produzir, ser cidadão. Ele quer ter um espaço para professar sua fé, para exercitar sua cultura, dançar, se pintar, mas também quer o que nós queremos. Por que ele não pode produzir na terra dele? Será que ele não tem o direito também a ficar rico? Por que não termos índios ricos, milionários, que tenham seu próprio avião, sua caminhonete, que mandem seu filho estudar no exterior? Qual o problema?

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da Redação

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