Negociador do governo com caminhoneiros, ministro da Infraestrutura diz que tabela de frete é "aberração"

Por Paulo Celso Pereira do O Globo

BRASÍLIA — Escalado pelo presidente Jair Bolsonaro para lidar com os caminhoneiros que fazem ameaças de greve, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, se mostrou otimista nesta terça-feira em relação às negociações que vem articulando entre o setor produtivo e os transportadores. Ele qualificou a tabela de frete, estabelecida após a greve do ano passado, como uma "aberração" e disse que ela precisará acabar naturalmente diante da livre negociação entre as partes. Na avaliação do ministro, os acordos tornariam mais simples, inclusive, a tarefa do Supremo Tribunal Federal, que terá de julgar a legalidade do tabelamento:

— Criaram um troço artificial, que é a tal da tabela, que é outra aberração. Tem que desamar, ela tem que morrer naturalmente. O que estamos fazendo, que é um trabalho de formiguinha, é estimular acordo por setor. Não é fácil colocar todo mundo na mesa para negociar, mas é um bom caminho. Porque em vez de ter um problemão, você passa a ter onze probleminhas, já que cada um dos setores vai negociar seu preço e o governo sai da mesa, a negociação passa a ser privada — disse o ministro, durante jantar promovido pelo portal Poder 360.

Freitas voltou a afirmar que o problema do frete é essencialmente econômico, uma vez que falta demanda para o tamanho da frota, e destacou que a situação se tornou ainda mais grave após a greve do ano passado.

— Eu acho que não vai ter nunca mais (greve). O problema do caminhoneiro é econômico, a causa é uma política industrial errada: o PIB caiu e a frota cresceu. Então o caminhoneiro não consegue perceber que está morrendo porque há excesso de oferta e não tem demanda pra ele. A greve do ano passado foi um tremendo tiro no pé, foi a pior coisa que eles poderiam ter feito para eles mesmos. Com medo de novas greves, várias empresas adquiriram frotas, estressando ainda mais o sistema.

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da Redação

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