'Não sou um Dilmo de calças mas estou torcendo para que caia a taxa de juros', diz Bolsonaro

Por Amanda Almeida, Gustavo Maia e Jussara Soares

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro disse, na manhã desta quarta-feira, que não vai influenciar na decisão do Banco Central (BC) sobre a taxa básica de juros, a Selic, mas diz que está "torcendo" por sua redução.

— Estou torcendo apenas para que caia a taxa de juros. Cada 1% da taxa Selic são R$ 40 bilhões a mais que a gente gasta por ano. A gente torce, pô. Eu não vou influenciar lá, eu não sou o 'Dilmo' de calças compridas — disse o presidente, na entrada do Palácio do Alvorada.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide hoje a nova taxa básica do país e a expectativa do mercado financeiro é que ela seja reduzida para 6,25% ao ano.

Sobre o decreto de programação orçamentária com o detalhamento do chamado contingenciamento de mais R$ 1,44 bilhão em gastos no Orçamento de 2019, publicado no Diário Oficial da União ontem, Bolsonaro disse que "se não fizer isso, entro na Lei de Responsabilidade Fiscal, é pedalada, eu vou para o impeachment".

— Dá para entender? Eu não quero cortar ninguém. Sou um cara que não sou adepto a isso, mas um orçamento geralmente é superestimado, pessoal infla. Entre uma crítica e o impeachment, quer que eu prefira o quê? Eu tenho que fazer uma opção, cara. E a opção infelizmente é essa. Ontem, discuti novamente um corte relativamente pequeno perto da monstruosidade do Orçamento. Vou ser obrigado a fazer. Tem uma lei e eu tenho que seguir a lei. Não sou ditador, pô.

Mais tarde, em Anápolis, Bolsonaro voltou a falar sobre o contingenciamento. Disse que os estados vivem situação parecida com a do governo federal.

- Não vamos pedalar, não vamos descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Caiado (Goiás) está com um problema igual. Acho que é difícil um estado que não tenha problema. Eu não quero culpar quem nos antecedeu. Estamos a União e o estado quebrados. Sabíamos que iríamos encontrar isso. E como vamos recuperar isso aí? Com credibilidade.

O presidente acrescentou que "o contingenciamento é uma proteção e uma previsão de guardar":

- Com o que nós temos planejado, ao longo dos próximos meses vai haver o ajuste, e o ministro Tarcísio (Infraestrutura) vai ter os recursos para fazer as obras que ele precisa no Brasil, a ministra Tereza (Agricultura) também. Já a partir do mês de setembro, vocês vão ver, no final de setembro, o governo Bolsonaro vai poder dar a condição de que todos terminem o que não está funcionando bem.

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

da Redação

Comentários