Trump quer acordo com Brasil e elogia Bolsonaro: 'Grande cavalheiro'

Com informações da Reuters e do O Globo

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira que quer seguir em frente com um acordo comercial com o Brasil, abrindo portas para questões comerciais entre os dois países. O presidente americano não deu detalhes de como estão as negociações.

Em conversas com repórteres na Casa Branca, em Washington, Trump citou o que diz ser um bom relacionamento com Brasil e elogiou o presidente Jair Bolsonaro, segundo ele "um grande cavalheiro" com quem tem um "relacionamento fantástico".

-Tenho um ótimo relacionamento com o Brasil. Tenho um relacionamento fantástico com o presidente. Ele é um grande cavalheiro. Acho que ele está fazendo um ótimo trabalho - disse Trump. -Vamos trabalhar em um acordo de livre comércio com o Brasil. O Brasil é um grande parceiro comercial.

Bolsonaro e Trump já conversaram sobre a viabilidade de um acordo comercial entre o Mercosul e os Estados Unidos durante a cúpula do G-20 no Japão, no fim de junho. Os dois presidentes realizaram um encontro bilateral horas antes do anúncio de que o bloco sul-americano e a União Europeia (UE) haviam assinado um tratado de livre-comércio.

O Brasil assumiu a presidência rotativa do Mercosul pelos próximos seis meses.

Em parelalo, Brasil e Estados Unidos já começaram a fazer um mapeamento de todas as barreiras ao comércio bilateral que não são tarifárias. A ideia é que os dois países passem a fazer acordos pontuais tanto na parte comercial, como o fim de restrições técnicas e fitossanitárias, quanto em áreas estratégicas, com destaque para serviços, investimentos e compras governamentais.

Esses tratados poderão ser firmados antes mesmo de uma negociação mais ampla, do tipo 4 + 1, entre os EUA e os quatro países do Mercosul.

Bolsonaro também prometeu avançar em negociações para fechar outros acordos comerciais com outos países como Canadá e Coreia do Sul.

O presidente brasileiro indicou o filho, o senador Eduardo Bolsonaro, para o cargo de embaixador nos Estados Unidos, por acreditar que vai estreitar a relação direta com Trump e, assim, obter ganhos comerciais e atrair investimentos. A indicação ainda precisa do aval dos Estados Unidos e do Congresso brasileiro.

Na Casa Branca, o presidente americano também disse que o Federal Reserve (o banco central americano) deveria cortar os juros na reunião que começa nesta terça-feira e se encerra no dia seguinte. A expectativa é que o Fed anuncie seu primeiro corte na taxa desde a crise global de 2008.

Alerta à China

Mais cedo, Trump fez um alerta à China, país com o qual trava uma guerra comercial, afirmando que o país não deve esperar o fim de seu primeiro mandato para concluir qualquer acordo comercial com os EUA, acrescentando que, caso ele ganhe a reeleição na disputa presidencial de novembro de 2020, o país asiático não conseguirá acordo ou um terá um pior.

"O problema de eles estarem esperando... é que, se e quando eu vencer, o acordo que eles conseguirem será muito mais duro do que estamos negociando agora... ou não terão nenhum acordo", disse Trump em uma publicação no Twitter, enquanto as mais recentes negociações entre EUA e China começavam em Xangai.

Trump disse que a China parece estar voltando atrás em sua promessa de comprar produtos agrícolas dos EUA, o que para autoridades dos EUA poderia ser um gesto de boa vontade e parte do acordo final entre os dois países.

"A China... deveria começar a comprar nossos produtos agrícolas agora -- e não há sinais de que eles estão fazendo isso. Esse é o problema com a China, eles simplesmente não cumprem (com o prometido)", escreveu Trump em uma série de publicações.

Autoridades americanas e chinesas retomaram as conversas depois que as negociações entraram em colapso em maio, em uma tentativa de encerrar uma guerra comercial que já dura um ano, marcada pela imposição de tarifas de ambos os lados. Os países, no entanto, ainda devem resolver diferenças profundas, o que mantém baixas as expectativas sobre a reunião de dois dias desta semana.

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da Redação

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