Após flagrante de falsos ambulantes vendendo drogas na praia de Ipanema, prefeitura fará cadastro de camelôs

Com informações do O Globo

RIO — As secretarias municipais de Ordem Pública (Seop) e de Fazenda (SMF) farão um recadastramento dos ambulantes que trabalham nas praias de Copacabana, Leme, Ipanema e Leblon. A medida é anunciada após O GLOBO ter mostrado, neste domingo, que falsos camelôs transformaram a Praia de Ipanema num feirão da droga , oferecendo maconha, cocaína e ecstasy, entre outras substâncias, para banhistas.

Ao longo desta semana, o secretário da pasta de Ordem Pública, coronel Paulo Amendola, deve dar detalhes sobre a ação da prefeitura. O objetivo, diz ele, é reforçar o controle urbano da orla executado pelo Programa Ambulante Legal, da SMF, que regula, credencia e fiscaliza a atividade do comércio de rua.

— Embora esta seja uma questão (tráfico de drogas) de cunho policial, a prefeitura pode contribuir dentro de seu papel administrativo. A ideia é realizar um recadastramento para qualificar todos os vendedores de praia, através do levantamento de antecedentes criminais, além de priorizar o ambulante legal nesses pontos — adianta Amendola.

O aperto na fiscalização e a uniformização dos ambulantes da orla são demandas antigas, inclusive da Polícia Civil, que investiga a ação de criminosos na areia. Em Ipanema, já se sabe que os vendedores de cigarro legal são os que normalmente oferecem droga, em geral, escondida no fundo dos tabuleiros usados pelos ambulantes.

Como constataram equipes do jornal, uma pequena quantidade de cocaína pode ser negociada por até R$ 100, enquanto a maconha custa de R$ 10 a R$ 50. Os traficantes chegaram a abordar repórteres com oferta de facilidades como pagamento com cartões de crédito e débito.

Os camelôs anunciam em voz alta cigarro, seda e isqueiros. Mas, mediante o interesse do cliente, acrescentam outros itens ilícitos à lista de produtos.

— Fuma nada, não? Marijuana ? Se quiser, já vai apertada — disse um dos vendedores, na terça-feira passada.

A mesma prática ocorre também em trechos de Copacabana e do Leme.

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da Redação

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