‘Ele é muito franco’, diz ministro da Secretaria-Geral sobre declarações de Bolsonaro

Por Gustavo Maia e Jussara Soares de O Globo

BRASÍLIA — Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência há pouco mais de um mês, Jorge Oliveira credita a repercussão negativa de declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro ao “seu jeito de ser muito honesto”. Para ele, muitas vezes se dá uma conotação “muito pejorativa” a falas de Bolsonaro por causa da “forma de se pronunciar”, que “não representa na essência o que ele pensa e o que ele é como pessoa”.

—Ele é muito franco com as palavras, é muito simples. Não se prende ao politicamente correto, não segue protocolos. É da natureza dele. Faz sempre de forma muito espontânea. Ele sempre foi assim. E não mudou como presidente — disse Oliveira, em entrevista ao GLOBO.

Para o ministro, que foi funcionário de Bolsonaro também em alguns de seus mandatos como deputado, “qualquer ruído que se tenha toma uma proporção muito grande”.

Ele diz, no entanto, achar bom que o presidente não evite declarações polêmicas, já que isso evidenciaria sua autenticidade. O que Bolsonaro gosta ou não, “fica muito claro para qualquer um”, já que “ele não tem essa polidez de resguardar uma colocação”. O ministro reconhece que é “lógico” que esse comportamento “não vai agradar todo mundo sempre”.

Para Oliveira, o presidente passou os primeiros 200 dias do governo sem pensar em reeleição, apesar das declarações sinalizando a intenção de concorrer ao Planalto em 2022. Ele afirma que Bolsonaro tem adotado medidas duras, que causam desgaste político e perda de popularidade, por entender que são necessárias. Como exemplo, citou a reforma da Previdência, proposta que classificou como questão de Estado, e não de governo.

Questionado a respeito das declarações do presidente sobre entregar um país melhor em 2026, o ministro disse que se trata de algo “natural”, mas afirmou que a reeleição não é o foco.

— Às vezes surge alguma coisa, alguém fala, ele brinca ali e tal. Mas não é uma pauta dele, não é isso que guia. Até porque, se fosse, a gente estaria fazendo o politicamente correto, o que todo mundo fez, e a gente não está fazendo. Temos muitas pautas que a gente sabe que não são politicamente positivas, né? Mas a gente tem enfrentado isso, não tem esse apego — disse ele.

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

da Redação

Comentários