Senador é alvo de operação da PF contra corrupção no Amazonas

Por Leandro Prazeres de O Globo

BRASÍLIA - A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira uma operação contra desvios de recursos da saúde no estado do Amazonas . Estão sendo cumpridos nove mandados de prisão temporária e bloqueios de até R$ 92 milhões . Há mandados de busca e apreensão contra o senador e ex-governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD-AM), e alguns de seus familiares.

Segundo nota divulgada pela PF, a investigação coletou indícios "robustos" de crimes que teriam sido cometidos por Omar Aziz, que preside uma das principais comissões do Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos.

A mulher do senador, Nejmi Aziz, e três irmãos dele (Murad Aziz, Mansour Aziz e Amin Aziz) estão entre os presos. Nejmi é vice-presidente do PSD do Amazonas e foi candidata a deputada estadual nas eleições de 2018, mas não se elegeu.

Murad já havia sido preso em outubro de 2018 na Operação Cashback, outro desdobramento da Operação Maus Caminhos. Ele é investigado por tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Segundo inquérito da PF, ele era um dos responsáveis por coletar vantagens indevidas de instituições que prestação serviços de saúde ao governo do Amazonas. De acordo com o Ministério Público Federal, a função dos familiares de Omar no esquema era a de realizar o recebimento de dinheiro ou ajudar no processo de lavagem dos recursos desviados.

A operação deflagrada hoje foi batizada de Vertex, mas ela é um desdobramento da Operação Maus Caminhos, que apura desvios milionários de recursos federais destinados a políticas de saúde no Amazonas. O esquema, segundo as investigações, funcionava a partir da contratação de instituições para a execução de serviços de saúde que eram superfaturados.

As investigações apuraram que houve pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos ao longo dos anos em que o esquema esteve em funcionamento.

Segundo nota da PF sobre a operação de hoje, há indícios de que Omar Aziz teria recebido vantagens indevidas envolvendo a entrega de dinheiro em espécie ou por meio de negócios simulados.

A investigação tem pelo menos dois anos, mas como Aziz é senador, parte dela foi desmembrada e tramitava no Supremo Tribunal Federal. Com o novo entendimento de que o foro privilegiado só teria validade para crimes cometidos no âmbito do cargo atualmente ocupado, o ministro Dias Toffoli repassou o caso para a 1ª instância da Justiça Federal no Amazonas, que retomou as investigações.

De acordo com a assessoria do senador, ele está reunido com os advogados da família neste momento e ainda não se manifestou sobre o caso.

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da Redação

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