Carlos Ghosn abre processo contra Nissan e Mitsubishi Motors e pede indenização de US$ 16,6 milhões

Com informações da AFP e do O Globo

TÓQUIO - O empresário franco-brasileiro Carlos Ghosn, ex-homem forte da aliança Nissan-Renault, entrou com uma ação contra as empresas japonesas Nissan e Mitsubishi Motors por violação abusiva de seu contrato na subsidiária Nissan-Mitsubishi B.V. (NMBV), com sede na Holanda, informou um de seus porta-vozes à AFP.

- Ele (Ghosn) confirmou a apresentação de uma ação judicial perante a Justiça holandesa - disse o porta-voz.

O ex-CEO da Renault e da Nissan pede € 15 milhões, o equivalente a US$ 16,8 milhões, a título de indenização.

Fundada em 2017 para explorar as sinergias entre os dois grupos, a NMBV foi dissolvida em março de 2019, após a prisão de Ghosn no Japão, em novembro do ano passado, por suspeita de fraude financeira. Em janeiro, Nissan e Mitsubishi Motors (MMC) disseram que Ghosn havia recebido como administrador do NMBV "uma remuneração total de € 7,822 milhões".

Segundo a Nissan, que quer recuperar o montante indevidamente recebido, Ghosn fez um contrato por conta própria em 2018, "sem discutir com os outros membros do Conselho de Administração da NMBV", no caso os presidentes da Nissan, Hiroto Saikawa, e da Mitsubishi Motors, Osamu Masuko.

Filial Renault-Nissan sob investigação

No início do mês, a Renault entregou à Justiça francesa as conclusões da auditoria realizada com sua parceira japonesa Nissan sobre sua joint venture sediada em Amsterdã. a RNBV, no contexto de uma investigação contra Ghosn . A auditoria identificou, nos últimos meses, € 11 milhões (US$ 12,4 milhões) em gastos suspeitos feitos pela subsidiária holandesa.

O ex-presidente do Conselho de Administração da Nissan, Carlos Ghosn (de boné azul claro) é escoltado enquanto sai da Casa de Detenção Foto: JIJI PRESS / AFP

O empresário de 65 anos é alvo de uma investigação preliminar aberta pela Procuradoria de Nanterre (subúrbios de Paris). A justiça está interessada em duas festas organizadas no Palácio de Versalhes , entre elas o casamento de Ghosn com sua esposa Carole , em troca de um contrato de patrocínio entre a Renault e o estabelecimento que administra o castelo. A filial RNBV foi a estrutura criada por Ghosn para incorporar a aliança dos dois fabricantes em nível operacional. Há vários meses, a Nissan acusa essa estrutura de mascarar despesas pessoais.

Em abril, as montadoras Renault e Nissan descobriram pagamentos feitos por Ghosn que teriam financiado o uso de jatos particulares, a compra de um iate e até uma start-up de seu filho, o que levou a companhia francesa a alertar a Justiça do país, revelaram fontes a par do assunto. As transações feitas entre Renault, Nissan e a RNBV envolveriam milhões de euros passados a empresas em Omã e no Líbano que teriam sido posteriormente utilizados para fins pessoais por Ghosn e sua família.

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da Redação

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