Bolsonaro diz que estuda indicar o filho Eduardo embaixador nos EUA

Por Jussara Soares e Eliane Oliveira de O Globo

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que cogita nomear o filho Eduardo Bolsonaro , deputado federal pelo PSL-SP, como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.— Está no meu radar sim, é uma possibilidade — declarou Bolsonaro, em entrevista coletiva na saída da posse do novo diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

O presidente afirmou que a escolha já foi cogitada no passado, e que levou em conta o custo e benefício da decisão. Ele também disse que, da parte dele, decidiria agora.

— Da minha parte decidiria agora, mas não é fácil uma decisão como essa. Não é fácil renunciar a um mandato sendo o deputado mais votado do Brasil.

Bolsonaro destacou as qualidades do filho e afirmou que ele poderia ser uma pessoa adequada para o cargo.

— Ele é amigo dos filhos do Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande no mundo. Poderia ser uma pessoa adequada e daria conta do recado perfeitamente — elogiou.

Bolsonaro lembrou que Eduardo se casou recentemente e, como um casamento, a entrega do cargo de embaixador a ele depende de um "sim". Ele disse também que, apesar de ser pai, não pode interferir na decisão do filho.

O presidente afirmou que o anúncio oficial depende da legislação. Eduardo completou 35 anos na quarta-feira e preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

O deputado tem atuado como chanceler informal e articulador das relações internacionais do pai desde antes da posse de Bolsonaro na Presidência. Ele acompanhou o presidente em quase todas as viagens internacionais desde janeiro, incluindo para os Estados Unidos, Israel e Argentina.

A legislação brasileira estabelece que os chefes de missão diplomática permanente devem ser escolhidos entre os ministros de primeira ou segunda classe (em casos específicos) do Itamaraty, mas abre uma exceção. Também podem ocupar o posto brasileiros natos que não pertençam aos quadros do Ministério das Relações Exteriores e sejam maiores de 35 anos de idade, "de reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao país".

A possibilidade de nomear o filho 03 para comandar a Embaixada em Washington veio a público, portanto, um dia depois de o deputado preencher um dos requisitos para assumir o posto.

O Itamaraty ainda não recebeu instruções para submeter o nome de Eduardo Bolsonaro ao governo americano, como é praxe. Em geral, o nome do embaixador só é divulgado depois que o governo do país em questão concede o chamado agrément.

O deputado disse ao GLOBO que não recebeu um convite formal para assumir a embaixada do Brasil em Washington. Mas assegurou que cumprirá a missão, caso seja de fato o escolhido pelo pai.

— Não existe confirmação sobre essa questão, mas pode ter certeza que a função que o presidente me der eu vou cumprir, assim como estou cumprindo no Congresso ou busco cumprir na Creden (Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara). Pode ter certeza que, se vier essa função, vou tentar desempenhá-la da melhor forma possível. Mas não existe confirmação — afirmou o parlamentar.

Com Bannon, Carvalho e Trump

Desde a época da transição do governo, Eduardo Bolsonaro tem se dedicado a temas de política externa. No fim do ano passado, depois da eleição do pai, fez viagens internacionais, sendo a principal delas para os Estados Unidos, onde ajudou a preparar o terreno para a viagem do presidente ao país, em março deste ano. Em Foz do Iguaçu, organizou em dezembro a Cúpula Conservadora das Américas.

Até agora, o nome mais em alta para assumir o posto nos EUA era o de Nestor Forster, o encarregado de negócios da embaixada. Forster e Eduardo têm em comum o fato de serem seguidores do ideólogo de direita e guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho.

Na viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos, Carvalho foi homenageado com um jantar na Embaixada do Brasil, ao qual compareceram expoentes do pensamento ultraconservador americano, incluindo Steve Bannon, estrategista da campanha à Presidência de Donald Trump. Bannon indicou Eduardo Bolsonaro como representante do seu Movimento da direita nacionalista na América Latina.

Na viagem aos EUA, Eduardo Bolsonaro ganhou destaque por ter sido chamado para entrar no Salão Oval da Casa Branca, onde seu pai teria uma reunião privada com Trump, apenas na presença de tradutores. O deputado depois afirmou que o próprio presidente americano o chamou para estar presente.

Em seu segundo mandato na Câmara, como presidente da Comissão de Relações Exteriores o deputado analisa projetos de lei, tratados internacionais e outras proposições referentes às áreas de defesa e de política externa, além de acompanhar e fiscalizar ações administrativas do Poder Executivo nessas áreas.

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da Redação

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