Operador de Dario Messer preso na Lava-Jato recebeu R$ 13 milhões em shopping de Copacabana

Por Daniel Biasetto de O Globo

RIO - Apontado como operador do 'doleiro dos doleiros' Dario Messer , Mario Libman, preso na operação desta terça-feira em seu apartamento, em Ipanema, recebeu do esquema criminoso R$ 13 milhões no Shopping Cassino Atlântico, em Copacabana, alvo de buscas hoje pela manhã.

O dinheiro, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), foi entregue de forma fracionada a Libman, que é pai do ex-genro de Messer, agora também delatado pela filha do doleiro , Denise Messer, que fechou delação premiada.

A força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) afirma que atuação dos Libman no esquema foi facilitada pelo fato de Rafael ser casado com Denise Messer, filha de Dario.

"Essa simbiose patrimonial é explicada tendo em vista que Dario Messer, ao mesmo tempo em que lavaria o seu dinheiro espúrio, também garantiria que a sua filha pudesse dispor de parte dos valores que amealhou em suas atividades de líder de organização criminosa voltada à lavagem e à evasão", afirmam os procuradores.

De acordo com o MPF, Messer usou as empresas Rali e Palazzo dos Libman na movimentação de R$ 31,8 milhões entre 2011 e 2016, utilizados para pagar obras na cobertura de Messer no Leblon e na compra de terrenos, com objetivo de construir imóveis no nome das empresas Rali e Palazzo dos Artistas, de propriedade dos Libman.

O nome de Libman apareceu pela primeira vez nas investigações daLava-Jato na denúncia da operação Câmbio, Desligo, deflagrada em maio do ano passado e que mandou prender, em cinco estados brasileiros, no Uruguai e no Paraguai 45 doleiros que fizeram circular US$ 1,652 bilhão em uma rede de doleiros criado por Messer .

Conta Cagarras

Os doleiros Claudio Barboza, o "Tony", e Vinicius Claret, o "Juca Bala", entregaram o esquema em delação premiada fechada com o MPF. Em seu depoimento, Tony afirmou que Dario Messer chegou a ser cliente do seu próprio esquema de lavagem de dinheiro.

De acordo com o MPF, Tony e Juca explicaram detalhes sobre o comando de Messer em relação ao esquema e como ele interagia com seus clientes mais importantes, chegando a autorizar que se aportassem créditos a partir de uma conta denominada "Cagarras" para viabilizar as compensações para entrega de reais no Brasil para clientes como a Odebrecht.

"A conta Cagaras foi sendo zerada com o passar do tempo, em razão de gastos particulares de Dario Messer", afirmou Tony em sua delação. Ele conta que comprou US$ 10 milhões da conta e que desse dinheiro mandou entregar para Libman os R$ 13 milhões na "sala 243, do 2º andar", do Shopping Atlântico Sul, de forma fracionada e discriminado no extrato bancário.

De acordo com os delatores, esses valores se somariam as vultosas despesas em que não houve emissão de nota fiscal, pois Messer exigia que elas fossem efetuadas em nome de terceiros para "ocultação da sua origem ilícita". O MPF demonstra o envolvimento de Libman na denúncia a partir de uma troca de mensagens entre Messer e uma assistente chamada Carolina Sérvulo, datada de 19/12/2013, em que é determinado que Libman indique em nome de quem determinada nota deveria ser emitida, mas “não no meu nome”, teria dito Messer.

Dinheiro na mão

Outra delação apontou o nome de Libman no esquema. O operador Luiz Fernando de Souza afirmou que era responsável por liquidar as operações determinadas por Tony e Juca Bala, cujos valores eram destinados a Messer. Ele detalhou como eram feitas as entregas de dinheiro em espécie ao chefe do esquema tanto no Brasil quanto no Paraguai:

"A liquidação das ordens da conta Cagarras era sempre de entrega de recursos, nunca de recolhimento. E era feita de duas formas: entrega de recursos para Mario Libman e diretamente para Dario Messer".

De acordo com Souza, para para liquidar as ordens determinadas por Dario, ele mandava entregar reais para Libman na loja do shopping em Copacabana. Ele afirma ter entregue pessoalmente dinheiro para Libman.

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da Redação

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