Caso Marielle: Marinha encontra 9 objetos em área onde pescador diz que armas foram atiradas ao mar

Com informações do O Globo

RIO — A Polícia Civil acredita que pode estar mais próxima que nunca da arma utilizada nas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Num relatório enviado ao Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), a Marinha informou aos investigadores que, durante as buscas, feitas desde a última semana de março, no mar da Barra da Tijuca, próximo às Ilhas Tijuca, nove objetos de 50 centímetros a dois metros foram detectados pelos radares, numa profundidade de até 30 metros.

Os resultados foram apresentados pelo 1º Distrito Naval ao delegado titular da DH da capital, Daniel Rosa, à coordenadora do Gaeco/MPRJ Simone Sibilio, e representantes do Corpo de Bombeiros.

Num documento enviado aos policiais, os militares explicaram que os nove pontos, descritos como alvos, foram localizados por um sonar do barco Anequim, durante uma varredura lateral, e afirmam que era “necessária uma busca com mergulhadores para se identificar ou confirmar a existência dos materiais detectados”.

A DH, então, enviou homens do Corpo de Bombeiros, que nada encontraram de relevante nos locais indicados. A especializada, no entanto, não desiste de encontrar a arma: a intenção dos investigadores agora é pedir uma nova busca à Marinha, e levar para auxiliar no trabalho o >pescador, que, na última semana, apareceu como uma nova testemunha no caso . Ele afirma que, de seu barco, foram jogadas no mar seis armas que seriam de Ronnie Lessa, um dia após a prisão do PM reformado, apontado como o assassino de Marielle.

Em depoimento, o homem afirma que foi contratado por Márcio Montavano, conhecido como Márcio Gordo, uma pessoa ligada a Lessa, para levá-lo até o ponto onde foi feito o descarte.

Mapa com os objetos detectados pelo radar da Marinha Foto: Reprodução

As buscas feitas pela Marinha ocorreram entre 25 e 29 de março. Para convencer os militares a retomá-las, a Polícia Civil alega que reuniu informações que reduzirão a área de varredura. Por causa da profundidade e a pressão, os mergulhadores só podem permanecer embaixo d'água por até 30 minutos.

Imagens feitas pelo sonar mostram, de longe, cada possível objeto detectado na área das Ilhas Tijuca, na Barra Foto: Reprodução

A ação para se livrar das seis armas de Ronnie Lessa — entre elas, a polícia acredita que esteja a HK-MP5 supostamente utilizada na morte da vereadora do PSOL —, teria contado com a participação de quatro pessoas: além de Montavano, a mulher do PM reformado, Elaine de Figueiredo Lessa, o irmão dela, Bruno Figueiredo, e um homem identificado como Josinaldo Freitas. Na segunda-feira e anteontem, todos prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios da Capital, na Barra.

Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco e Anderson Gomes Foto: Pablo Jacob / Agência O GLOBO

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da Redação

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