PF investiga se sargento preso com 39 quilos de cocaína lavou dinheiro com parentes e amigos

Com informações do O Globo

BRASÍLIA — A Polícia Federal(PF) investiga a possibilidade delavagem de dinheiro pelo segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, de 38 anos, a partir de transferência de patrimônio a parentes e amigos. A Força Aérea Brasileira (FAB), por sua vez, levanta nomes de militares que faziam os voos oficiais rotineiramente com Rodrigues ao longo dos anos, diante da hipótese de que o segundo-sargento não agiu sozinho no tráfico de 39 quilos de cocaína até a Espanha.

Os investigadores acreditam que o transporte desse carregamento da droga, dentro de um avião da FAB, numa missão preparatória de viagem presidencial, não foi o primeiro feito pelo militar da Aeronáutica, em razão das características envolvendo o caso.

O segundo-sargento foi preso no último dia 25 em Sevilha, capital da Andaluzia, no sul da Espanha. Ele participava de uma missão precursora para a viagem de Jair Bolsonaro ao Japão, onde ocorreu a reunião do G-20, o grupo de países mais ricos do mundo. O militar segue preso em Sevilha.

Não há imóveis em nome de Rodrigues no Plano Piloto de Brasília. A Aeronáutica disponibilizou a ele um imóvel funcional, pertencente à União, na Asa Sul, mas quem ocupa o local há pelo menos um ano e meio é sua ex-mulher e dois filhos dos dois, o que é apurado pela FAB.

Reunião entre FAB e PF

Também não há imóveis em nome dele em Cidade Ocidental (GO), município onde viveu antes com a primeira mulher. Em Taguatinga (DF), Rodrigues comprou em março de 2017 um apartamento de 48,3 m2 a um preço de R$ 179 mil. Ele financiou R$ 137,6 mil desse valor, por meio da Fundação Habitacional do Exército, num prazo de 30 anos.

Não foram encontradas empresas das quais ele seja sócio e em seu nome estão um carro e duas motocicletas populares, compatíveis com a renda bruta de R$ 7,2 mil que recebe da FAB.

Além de ser alvo da Justiça espanhola, o segundo-sargento é alvo de duas investigações no Brasil. Uma é o inquérito policial-militar (IPM) instaurado pela própria Aeronáutica. Como o entendimento inicial é de que houve crime militar, Rodrigues responderá na esfera da Justiça Militar, em que a própria FAB conduz a investigação. A outra apuração foi aberta pela superintendência da PF em Brasília, por se tratar de tráfico internacional de drogas.

Na tarde de ontem, pela primeira vez, investigadores da FAB se reuniram com profissionais da PF. A Aeronáutica cuidará das relações intramuros, com a concentração da investigação no tráfico de drogas que ocorre dentro da própria Força.

À PF caberá o foco extramuros, com a investigação concentrada em lavagem de dinheiro, formação de patrimônio e participação de organização criminosa no fornecimento da cocaína. A Aeronáutica decidiu compartilhar as provas existentes com a PF. Na segunda-feira foram realizadas buscas nos apartamentos ligados a Rodrigues.

A hipótese mais aventada pelos responsáveis pelo IPM é que Rodrigues não agiu sozinho, podendo ter contado com a parceria de civis ou de militares. Uma diligência a ser feita é o levantamento de militares que repetidamente viajavam com Rodrigues ao longo dos últimos anos.

O segundo-sargento deve prestar um depoimento à Justiça espanhola em até três semanas. Tanto um delegado da PF quanto investigadores da FAB vão viajar a Sevilha para colher informações e evidências sobre o caso. Até agora, ele não teria dito nada às autoridades locais. Os investigadores planejam utilizar indícios decorrentes das buscas em depoimentos a serem colhidos do militar.

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da Redação

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