Partido de Bolsonaro, PSL pressiona para reduzir poderes de Onyx Lorenzoni

Com informações do O Globo

BRASÍLIA E SÃO PAULO — Com seu papel no governo esvaziado, o ministro-chefe da Casa Civil ,Onyx Lorenzoni , enfrenta um processo de fritura alimentado pela base política do presidente Jair Bolsonaro. Integrantes do PSL , partido do presidente, avaliam que Onyx fracassou como negociador político e reclamam dele ter empregado seus próprios aliados em cargos nos estados. Parlamentares da legenda ouvidos pelo GLOBO dizem ainda que o ministro isolou o partido do presidente das esferas de poder.

Onyx perdeu formalmente o comando da articulação política para o general Luiz Eduardo Ramos, que assumirá a Secretaria de Governo. Apesar disso, ele deve continuar nas negociações para a aprovação da reforma da Previdência na Câmara, segundo o próprio presidente da República. Apesar das pressões, a avaliação no Palácio do Planalto é que, pelo menos por ora, Onyx permanece no comando da Casa Civil.

Um dos sinais de desgaste do ministro foi o fracasso do pacto entre os chefes dos Poderes, anunciado por ele há dois meses como saída para os problemas de articulação política do governo. O acordo não prosperou por resistência do Congresso. Nesta quarta-feira, Bolsonaro minimizou a relevância da iniciativa.

— Nós não precisamos de pacto assinado no papel. O pacto que precisamos com o Poder Legislativo é o nosso exemplo de votarmos matérias, apresentarmos proposições que fujam do populismo — disse Bolsonaro, ao lado de Onyx e de Ramos.

Um dos motivos da insatisfação com o ministro é o fato de Onyx ter coletado junto a deputados mais de 75 indicações para o chamado “banco de talentos” e, depois, ter dado espaço apenas a aliados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o ministro da Casa Civil indicou um aliado para a superintendência do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e outro para uma diretoria.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) diz que o mesmo ocorreu em São Paulo, onde o ministro teria agido junto com a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso.

— Deu (cargos) para fazer a base dele, mas não foi uma negociação pró-governo — reclama Carla Zambelli.

Procurado pelo GLOBO, o ministro não quis se pronunciar.

Aproximação do Centrão

A saída do ex-deputado Carlos Manato (PSL-ES) do time de articulação política da Casa Civil é outro ponto ainda não superado pela bancada do PSL.

— É simplesmente um ato que nós não concordamos. Ação injusta com um parlamentar que foi candidato a governador e estava antes com Bolsonaro do que o ministro. Então não é algo que temos que engolir — disse o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO).

Delegado Waldir já enfrentou publicamente Onyx em algumas ocasiões, inclusive tendo apoiado sua convocação à Câmara quando o ministro insinuou que parlamentares mentiram ao relatar uma conversa com Bolsonaro sobre cortes orçamentários em universidades.

Na avaliação de líderes partidários do Centrão, o incômodo em torno do trabalho do ministro se intensificou logo após a aproximação dele com esse bloco, que tem colocado obstáculos a pautas do governo. Outro fator que teria gerado desconfiança no Planalto é sua proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Onyx já tinha uma estreita relação com Alcolumbre quando assumiu a Casa Civil. Já a aliança com Maia foi posterior.

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Onyx também enfrenta resistência dos filhos de Bolsonaro, segundo líderes partidários, por ter postura de conciliação e por ter oferecido a liberação de R$ 40 milhões em emendas, para cada deputado, pela aprovação da reforma da Previdência. A prática teria sido considerada um “toma lá dá cá” pelos filhos e pelo próprio presidente.

Entenda a fritura do ministro da Casa Civil

Motivos

  • Proximidade dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o que gera desconfiança no presidente Jair Bolsonaro.
  • Promessa de liberação de R$ 40 milhões em emendas, para cada deputado, pela aprovação da reforma da Previdência. Bolsonaro teria ficado insatisfeito com o que considera um “toma lá dá cá”.
  • Substituição de Carlos Manato (PSL-ES) por Abelardo Lupion (DEM-PR) na equipe que o auxiliava na articulação política. A troca desagradou a bancada do PSL.

Sinais

  • A assinatura de um pacto entre os chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário, anunciado por Onyx Lorenzoni, não prosperou, por resistência do Congresso. O governo queria um compromisso para aprovar pautas de seu interesse.
  • A Casa Civil foi esvaziada, com a perda da atribuição de fazer a articulação política e da Subchefia para Assuntos Jurídicos, que migraram para outras pastas.
  • A criação de um conselho, que reuniria presidentes de partidos, não se concretizou. O objetivo era melhorar a articulação política do governo.

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da Redação

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