Ao vivo: Moro na Câmara explicando diálogos com Dallagnol

Com informações da Revista Veja

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, é sabatinado nesta terça-feira, 2, na Câmara dos Deputados. A sessão, que estava prevista para as 14h, começou por volta das 14h15. Moro é ouvido por parlamentares de quatro comissões: de Constituição e Justiça; de Trabalho; de Direitos Humanos; e de Fiscalização Financeira e Controle.

Os deputados questionam o ex-juiz da Lava Jato sobre as mensagens que colocam em dúvida sua conduta em julgamentos da operação. Entre as mensagens divulgadas originalmente pelo site The Intercept Brasil, Moro indicou uma pessoa “aparentemente disposta” a falar sobre imóveis relacionados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pelo então magistrado.

Reportagem de VEJA mostrou, com exclusividade, que as testemunhas são o técnico em contabilidade Nilton Aparecido Alves, de 57 anos, e o empresário Mário César Neves, dono de um posto de gasolina também em Campo Grande.

Segundo outras mensagens divulgadas, Moro também chegou a se queixar de recursos que poderiam atrasar a execução de pena de um acusado, fez sugestões no cronograma de fases da operação e direcionou a Lava Jato para atacar Lula na imprensa, em resposta ao que classificou como “showzinho” da defesa do ex-presidente. Ele também demonstrou preocupação com um possível “melindre” ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, por investigações contra o tucano que, em sua avaliação, baseavam-se em indícios “muito fracos”.

Nos vinte minutos iniciais a que teve direito para fazer suas considerações iniciais na Câmara, Sergio Moro manteve o discurso de que as mensagens publicadas pelo site foram obtidas por meio de “uma invasão criminosa hacker” nos celulares de procuradores da Lava Jato e que ele não reconhece a autenticidade do material. Para o ex-juiz, a obtenção e a divulgação do material buscam “invalidar condenações da Lava Jato e impedir novas investigações”.

“Não reconheço a autenticidade dessas mensagens, não tenho mais essas mensagens no meu celular, não tenho como ver as mensagens e dizer: ‘elas são minhas’”, declarou Moro, que se refere ao conteúdo como “supostas mensagens”. Ele afirmou que, após seis meses de inatividade no Telegram, os diálogos dos usuários são apagados, “inclusive na nuvem”.

O ministro disse que contatos entre juízes, procuradores e advogados são normais “na tradição jurídica brasileira” e que agiu “sempre com correção, com base na lei, na imparcialidade, decidindo os pedidos apresentados sem qualquer espécie de desvio”.

“O que existe aqui é uma invasão criminosa de hacker a aparelhos celulares de agentes públicos que se empenham na aplicação da lei, no caso os procuradores e eu, que atuei como juiz. Esses elementos probatórios que foram colhidos nem podem ser chamados de prova, porque são ilícitos. Não está demonstrada a autenticidade das mensagens”, afirmou ele, para quem as mensagens têm sido “divulgadas com grande sensacionalismo e com deturpação do sentido delas”.

O ministro deve encontrar um ambiente muito mais hostil do que o que encontrou ao ir à CCJ do Senado falar sobre o mesmo tema — lá houve pouca pressão sobre ele e quase nenhum momento de tensão. Naquela ocasião, Moro reafirmou que as mensagens foram obtidas de forma ilegal, por um hacker, e que elas não revelam nenhuma irregularidade.

Na CCJ da Câmara, a oposição ao governo Jair Bolsonaro é maior e mais atuante, mas o ex-juiz chega respaldado pelas manifestações de rua em seu apoio, ocorridas no domingo em dezenas de cidades brasileiras. Conforme informa o blog Radar, deputados do PSL e do PT já formaram fila em frente à CCJ para disputar as primeiras inscrições na sessão.

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da Redação

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