Após cancelamento de encontro, Bolsonaro tem conversas informais com Macron e Merkel no G-20

Por Assis Moreira, do Valor e O Globo

OSAKA, JAPÃO — Em encontro à margem da cúpula do G-20, o presidente Jair Bolsonaro convidou o presidente francês,Emmanuel Macron , para visitar a região amazônica, e reafirmou seu compromisso com o Acordo de Paris, que trata de questões climáticas.

Bolsonaro teve um “bate-papo” tanto com o francês Emmanuel Macron como com a chanceler alemã Angela Merkel , dois críticos da política ambiental do Brasil.

Bolsonaro também se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, que elogiou o brasileiro .

— Ele é um homem especial, está muito bem, muito amado pelo povo do Brasil — disse Trump, afirmando que EUA e Brasil "estão mais próximos do que nunca".

Encontros informais

As conversas de Bolsonaro com Macron e Merkel aconteceram em uma área exclusiva destinada aos líderes do G-20, depois de declarações que causaram especulações.No meio da manhã no Japão, a assessoria de Bolsonaro informou que uma reunião bilateral agendada com Macron teria sido cancelada . Pouco depois, um porta-voz do presidente francês retrucou que a França nunca teve a confirmação de que o encontro oficial tivesse sido marcado. Horas depois, o mesmo porta-voz avisou que Macron teria “um contato informal” com Bolsonaro, em formato selecionado a pedido da França. No fim da tarde, foi a vez de o porta-voz de Bolsonaro, general Rêgo Barros, contar que Macron tinha pedido o encontro antes, mas depois propusera o horário das 23h de quinta-feira, que Bolsonaro recusou.

Enfim, às 15h desta sexta, horário local, na “zona vermelha”, como é chamada a área exclusiva para os líderes do G-20, Bolsonaro e Macron tiveram uma conversa de 30 minutos, na versão brasileira. Na versão francesa, ambos conversaram pelo menos 15 minutos.

Segundo o general Rêgo Barros, os dois falaram do Acordo de Paris, de mudanças climáticas e sobre a fronteira entre Guiana Francesa e o Brasil. Bolsonaro convidou Macron a visitar a Amazônia para ver de perto o que, segundo ele, o Brasil está fazendo na preservação do meio ambiente. Macron ficou de estudar o convite com sua assessoria.

As diferentes versões sobre o encontro ao longo do dia alimentaram especulações. É que o presidente francês desembarcou no Japão ameaçando não assinar o acordo de livre comércio UE-Mercosul se Bolsonaro retirar o Brasil do acordo climático de Paris, criando um entrave às negociações entre os dois blocos.

Em seguida, Bolsonaro desembarcou em Osaka advertindo que não veio ao G-20 para receber recriminações de outros chefes de Estado, no que foi interpretado como reação a uma crítica da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre o que ela chamou de situação “dramática” no Brasil, de desmatamento da Amazônia.

O general Rêgo Barros relatou que Bolsonaro se encontrou também com Merkel na mesma zona exclusiva dos líderes. “Foi bastante amigável”, disse o porta-voz, que não estava presente por não ter acesso ao local, e não tinha detalhes da conversa.

O general reafirmou que o governo Bolsonaro manterá o Brasil no Acordo de Paris contra a mudança climática.

O tema das mudanças climáticas divide a cúpula do G-20, com Trump — que retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris — pressionando por um comunicado mais ameno sobre a questão. Na reunião informal dos países do grupo Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — realizada também nesta sexta-feira em Osaka, o comunicado final reitera o apoio dos integrantes ao Acordo de Paris.

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da Redação

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