Assessor preso em investigação de candidaturas laranja trabalha com ministro do Turismo há seis anos

Com informações da Assessoria de Imprensa

RIO — Preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF) em Brasília, Mateus Von Rondon, de 32 anos, é assessor especial doministro do Turismo desde janeiro, mas trabalha com Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG) há seis anos, desde 2013. Ele acompanha o político desde o início da carreira no Legislativo, na Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte (MG), e também prestou serviços ao gabinete de Álvaro Antônio na Câmara dos Deputados.

Durante quatro anos, Von Rondon foi pago com recursos da cota parlamentar do deputado, que acabou alçado à Esplanada dos Ministérios em janeiro pelo presidente Jair Bolsonaro.

Os pagamentos que Von Rondon recebeu da Câmara somaram R$ 193 mil em quatro anos e foram destinados ao mesmo CNPJ pelo qual ele foi contratado no ano passado por quatro candidaturas laranja do PSL, partido de Álvaro Antônio e de Bolsonaro. Das candidatas, a firma recebeu R$ 32 mil por serviços não especificados em prestações de contas junto à Justiça Eleitoral. Nesta quinta-feira, além de Von Rondon, a PF prendeu dois ex-assessores do ministro que também são suspeitos de envolvimento no caso : Haissander Souza de Paula e Roberto Silva Soares, que coordenou a campanha de Álvaro Antônio em 2014.

A suspeita da investigação é que, com a atuação desses assessores, Marcelo Álvaro Antônio tenha selecionado mulheres para o PSL de Minas Gerais lançar candidaturas laranjas e, assim, cumprir a cota de gênero determinada por lei. No entanto, os recursos repassados seriam desviados para empresas que não teriam prestado efetivamente os serviços.

Criada em 2013, a empresa de Von Rondon foi batizada com o próprio nome dele e teria o marketing como a principal atividade. Foi encerrada no início deste ano, antes da nomeação dele para o cargo no Ministério do Turismo.

Notas fiscais que comprovam as transações do gabinete do deputado ao assessor preso datam de março de 2015 (quando Álvaro Antônio chegou à Brasília) até dezembro de 2018. Os valores variaram de R$ 4 mil a R$ 9 mil e houve dois intervalos de quatro meses em que não foram efetuados. Os hiatos coincidem com os períodos de campanha de Álvaro Antônio para a Prefeitura de BH (em 2016) e pela reeleição como deputado (em 2018).

No período em que foi pago com a cota parlamentar de Marcelo Álvaro Antônio, Von Rondon exerceu atividades de divulgação da atividade parlamentar. Uma nota fiscal datada de junho de 2015, emitida pela Câmara, mostra que o serviço contratado era de "gestão de redes sociais para divulgação das atividades parlamentares do deputado". Na vereança de Belo Horizonte, ele foi nomeado assistente de pesquisa em janeiro de 2013 e recebeu salário de R$ 2.793,89 até fevereiro de 2015, quando foi exonerado.

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Através das próprias contas em redes sociais, Von Rondon endossava a carreira política de Álvaro Antônio desde 2012, antes mesmo de o político conquistar a cadeira na Câmara de Vereadores de BH. No início daquele ano, ele utilizou o Twitter para pedir que os eleitores da capital mineira melhorassem "o plantel de vereadores" e utilizou a hashtag #nãoreelejaBH. Dias depois, replicou uma mensagem do pré-candidato sobre projeto para o futuro mandato.

Nos quatro anos seguintes, as publicações dele no microbolog foram todas dedicadas a temas relativos à carreira de Álvaro Antônio. Ele deixou de criar novas postagens em 2016. No Facebook, rede em que a última atualização foi na noite de quarta-feira, a maior parte das mensagens também é sobre o ministro. Fotos que ele escolheu para o perfil, inclusive, exibem os números de Álvaro Antônio nas urnas.

Há posts com entrevistas, vídeos e fotos relativos à atuação do político na pasta do Turismo. Não entrou na linha do tempo, porém, qualquer menção à suspeita da participação dele no esquema de laranjas, investigado desde fevereiro.

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da Redação

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