Parada LGBT, na Avenida Paulista, começa com discurso a favor da criminalização da homofobia

Por Leo Branco e Guilherme Caetano do O Globo

SÃO PAULO — A 23ª Parada LGBT de São Paulo começou oficialmente às 12h deste domingo com discursos de celebridades e ativistas da causa. Em uma Avenida Paulista tomada pela multidão, o público entoou gritos contra o presidente Jair Bolsonaro e a favor do Supremo Tribunal Federal (STF) que recentemente tornou crime o ato de homofobia .

O tema da Parada do Orgulho LGBT, em SP, neste ano é os 50 anos de Stonewall. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Público começa a chegar para participar da Parada do Orgulho LGBT 2019, que promete reunir 3 milhões de pessoas em São Paulo. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

A abertura da Parada teve discurso da apresentadora Fernanda Lima, do programa Amor & Sexo (Tv Globo), madrinha do evento. A apresentadora enalteceu a comunidade LGBT pela luta de seus direitos.

— Essa luta não tem fim. É uma luta por amor e empatia. Vocês merecem ter toda visibilidade do mundo — disse.

Na sequência, o ativista Toni Reis fez um discurso homenageando o Supremo Tribunal Federal pelo julgamento que criminalizou a homofobia, no início do mês.

-- Precisamos enfrentar fascismo. Não admitimos bullying nas escolas. Beijem muito e agora com autorização do STF -- disse.

A cerimônia teve ainda discurso de Thammy Miranda, filho da cantora Gretchen que recentemente passou pelo processo de mudança de gênero, e terminou com o canto do hino nacional na voz da cantora drag queen Tchaka.

Ao longo da avenida Paulista, é possível presenciar faixas de pedestres pintadas nas cores do arco-íris, símbolo tradicional da luta LGBT.

O tema " 50 anos de Stonewall", a 23ª edição do evento terá 19 trios elétricos e público esperado de 3 milhões de pessoas. O mote desse ano relembra o episódio de repressão policial num bar de Nova York que se tornou um marco para o ativismo da comunidade LGBT em todo o mundo.

Bandeiras defendendo os direitos humanos marcam presença na Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, neste domingo. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Carro de som leva participantes da Parada de Orgulho LGBT, em São Paulo Foto: Agência O Globo

Para a organização do evento, esse tema "caiu como uma luva" diante do governo de Jair Bolsonaro, que já chegou a se intitular homofóbico e que o Brasil não poderia ser um destino para o "turismo gay". Segundo a prefeitura de São Paulo, no ano passado o impacto econômico do ato foi de R$ 288 milhões.

— Muitas das gerações mais novas do movimento LGBT ficaram um pouco apavoradas (com a eleição de Bolsonaro), mas a gente sempre enfrentou repressão — declarou Cláudia Garcia, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT, organizadora do evento — Agora tem um agravante, que é o governo, mas é assim que a luta continua. É o resgate da história, para as pessoas aprenderem como o movimento começou, como continua e o que fazer de agora em diante.

Ao longo da Avenida Paulista, 19 trios elétricos, um a mais do que em 2018, vão agitar os manifestantes com shows de artistas como Gloria Groove, Luisa Sonza, MC Pocahontas, Aretuza Love, Lexa e outros. O evento também conta com uma atração internacional, a ex-Spice Girls Mel C.

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da Redação

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