Bolsonaro credita problemas na articulação política à inexperiência e diz que retornou 'ao que era feito em governo anterior'

Com informações do O Globo

BRASÍLIA - Dois dias depois de promover mudanças na articulação política do governo, o presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira que a relação do Executivo com o Legislativo teve problemas, "em parte", e creditou os erros à inexperiência na formatação inicial da gestão.

Ele afirmou ainda que, "em grande parte", teve que retornar ao modelo do governo anterior e defendeu o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , cuja pasta perdeu essa atribuição para a Secretaria de Governo (Segov) — que será comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos .

- Depois que a gente faz as coisas, a gente plota [compreende] que podia ter feito melhor ou não ter cometido aquele erro. Quando nós montamos aqui, no primeiro momento, [por] inexperiência nossa, houve, tivemos algumas mudanças nas funções de cada um que não deram certo. Então, em grande parte, retornamos ao que era feito em governo anterior - declarou Bolsonaro, negando que a culpa das dificuldades na articulação tenha sido diretamente de Onyx.

Depois de reconhecer "problemas na articulação política", ele recorreu a uma metáfora esportiva para explicar que errou na escolha do interlocutor e voltou a fazer elogios a Luiz Eduardo Ramos, escolhido para substituir o também general Carlos Alberto dos Santos Cruz na Segov.

- É como eu disse [sobre] o jogador de vôlei e de basquete: o general Ramos, que é meu amigo desde 1973 é uma pessoa que passou pela assessoria parlamentar aqui, ficou dois anos, tem uma vasta experiência em outras áreas, como por exemplo foi adido militar lá em Israel, participou de operações das mais variadas de Garantia da Lei e da Ordem no Rio de Janeiro, e é uma pessoa perfeitamente qualificada a ter o melhor relacionamento com o Parlamento brasileiro - declarou.

Ministros 'fusíveis'

Questionado se Onyx foi enfraquecido ao ter a atribuição de articulação retirada de sua pasta, o presidente comentou o papel de três das quatro pastas sediadas no Palácio do Planalto, deixando de fora apenas o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

- Bem, todo mundo diz, e é verdade: tem três ministérios aqui dentro - Secretaria do Governo, Secretaria-Geral e Casa Civil - que são fusíveis. Para evitar queimar o presidente, eles se queimam - declarou, completando:

- A função do Onyx é a mais complicada que tem aqui. Eu entendo que nós adequamos agora, passando a Supar (Subchefia de Assuntos Parlamentares) para o Ramos e jogamos aí a PPI (Programa de Parcerias e Investimentos] para o Onyx. Ele tá fortalecido, no meu entender. Aqui não tem ministro fraco ou forte. Todo mundo tem que jogar junto nesse time.

Segundo Bolsonaro, Onyx agora tem a "função mais importante no time".

- Eu, na minha vida toda, eu sempre fui goleiro. É função mais ingrata que tem num time, mas o goleiro aqui é a função mais importante no time, que é a do Onyx. Porque se um centro-avante perde um gol, tudo bem, o pessoal esquece rapidamente. Agora, se o goleiro toma um frango, fica marcado a vida toda - complementou Bolsonaro.

O presidente disse ainda ter conversado com o ministro, com quem contou ter trocado mensagens de WhatsApp pela manhã, e comentou que ele está "tranquilo, em paz".

- E ele vai continuar conosco aí enquanto a sua saúde assim o permitir - afirmou, explicando em seguida que o ministro passou mal, teve uma febre alta. - Mas o gauchão continua bem.

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da Redação

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