'Não sou ditador, sou democrata, pô', diz Bolsonaro sobre eventual derrota do decreto das armas

Com informações do O Globo

BRASÍLIA - Engajado na defesa dos decretos que editou no mês passado para flexibilizar a posse e o porte de armas no país, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta manhã que não poderá fazer nada caso o plenário do Senado derrube os atos. Governo e oposição evitam declarar vitória antecipadamente, prevendo uma votação apertada nesta terça-feira.

Na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aprovou a derrubada das medidas , por 15 votos a 9. O governo tem apostado na pressão das redes sociais para reverter a tendência de derrota no resultado no plenário. No sábado, Bolsonaro fez em suas redes sociais um pedido para a população cobrar os senadores pela manutenção dos decretos . Os dois lados evitam declarar vitória antecipadamente e preveem uma votação apertada.

Depois de participar de uma cerimônia de hasteamento da bandeira com ministros, no Palácio do Planalto, afirmou que tem falado com senadores para manter o decreto, "explicando, conversando". Questionado o que pode fazer em caso de derrota, ele disse ser democrata:

— Eu não posso fazer nada. Eu não sou ditador, sou democrata, pô — declarou.

Caso a decisão da CCJ seja mantida, ela ainda terá que ser confirmada pela Câmara para ter efeito. De acordo com pesquisa Ibope, a maioria dos brasileiros é contra a flexibilização das regras das armas .

— Nós sabemos que no Brasil, hoje em dia, quem está à margem da lei está armado. Queremos, para o lado de cá, dar o direito à legitima defesa, que foi decidido nas urnas em 2005. Nada mais estou fazendo do que atendendo a vontade do povo expressa nas urnas em 2005 por ocasião do referendo — defendeu o presidente.

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), diz que recebe constantemente mensagens pedindo a manutenção dos decretos, mas afirma não saber se a pressão popular será suficiente. Por outro lado, o líder do PT, Humberto Costa (PE), avalia que há uma "boa chance" de derrubar as medidas, mas destaca que o efeito da pressão nas redes é incerto.

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da Redação

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