Maia e Centrão combinam aprovar Previdência na comissão em pleno São João

Por Tales Faria colunista do UOL

O Plano é ambicioso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acertou com os partidos do Centrão para tentar votar o projeto de reforma da Previdência na comissão especial em plena semana de São João.

O Centrão do Congresso reúne cerca de 200 deputados de partidos como PP, PL, PSD, DEM, MDB, PRB, SD e PTB. Além desse grupo, Maia conta com o PSDB, o Cidadania e o Novo para apressar a votação.

O PSL, do presidente Jair Bolsonaro, também tem interesse na aprovação, mas vai tentar incluir no texto itens da proposta original do governo retirados pelo relator, Samuel Moreira (PSDB-SP).

Em 24 de junho, uma segunda-feira, é comemorado o Dia de São João. Os festejos no Nordeste vão pelos meses de junho e julho, com especial concentração na semana do dia 24, quando os deputados e senadores costumam ficar em suas bases eleitorais e não viajar para Brasília.

O próprio Rodrigo Maia desmarcou votações importantes no plenário durante a semana de São João para liberar a bancada nordestina.

Procurado pelo blog, o presidente da comissão, Marcelo Ramos, afirmou: "Não dá pra submeter o Brasil às festas de São João, com todo o valor que elas têm pro país".

Matematicamente, os festejos de São João têm grande peso no plenário geral da Câmara, mas não devem influir muito sobre a comissão da reforma da Previdência.

Dos seus 49 integrantes, apenas dois dos nordestinos têm suplentes da mesma região do país. Os outros podem ser substituídos por suplentes das demais regiões, onde os festejos são menores.

Os dois deputados: João Marcelo Souza (MDB-MA), cujo suplente é Marx Beltrão (PSD-AL); e Carlos Veras (PT-PE), cujo suplente é Danilo Cabral (PSB-PE). Veras e Cabral são contra o projeto. Nem Rodrigo Maia nem o Centrão contam com eles.

A dificuldade será superar as táticas de obstrução que as legendas oposicionistas prometem usar para adiar a votação.

Também deve dificultar o final dos trabalhos na comissão especial a votação dos chamados destaques, que ocorre depois da aprovação do projeto.

O líder do PSL, Delegado Waldir (GO), disse ao blog que pretende colocar alguns destaques em votação:

  • a volta ao texto do regime de capitalização, menina dos olhos do ministro da Economia, Paulo Guedes;
  • "derrubar privilégios a algumas carreiras mantidos no relatório";
  • a extensão às demais carreiras de segurança pública dos benefícios concedidos aos militares.

PSL e o Novo não estão fechados com o Centrão, nem entre si, o que dificultará a votação.

Isso sem contar os destaques que deverão ser colocados pelos partidos de oposição.

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da Redação

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