Bolsonaro quis vetar Levy no BNDES antes da posse. Guedes insistiu

Com informações do Site Poder360

No final do ano passado, durante as discussões para formar o novo governo, Paulo Guedes foi chamado por Jair Bolsonaro. Na sala estavam 2 diretores do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Guedes já havia comunicado ao presidente eleito sua escolha para a presidência do banco de fomento: Joaquim Levy, que estava no Banco Mundial, em Washington.

Bolsonaro já havia mostrado resistência, e, naquele momento, pretendia eliminar Levy. O argumento é que o economista havia trabalhado para os governos petistas. Com Luiz Inácio Lula da Silva, foi secretário do Tesouro. Com Dilma Rousseff, ministro da Fazenda. Pouco importava o fato de que o economista tinha enfrentado fortes resistências de Dilma para implantar o ajuste fiscal e ter sido finalmente demitido por ela pouco antes do impeachment, em dezembro de 2015.

“O Levy não dá, Paulo. Temos aqui 2 colaboradores nossos que acham a mesma coisa”. A ideia era escolher 1 dos 2 para a presidência do BNDES. Guedes então dirigiu-se aos 2 diretores do BNDES. “Admiro a fidelidade de vocês ao presidente e lamento a falta de fidelidade a mim. Se acham isso, deveriam ter me procurado antes”, disse. Em seguida, pediu que os 2 se retirassem da sala.

Guedes ligou então para Levy, que estava nos Estados Unidos. Passou o telefone a Bolsonaro, que, em seu estilo franco, disse a Levy todas as restrições que tinha a ele. O economista se defendeu. “Presidente, eu sou filho de militar, estudei na escola naval. Tenho a maior admiração pelos militares”.

Bolsonaro se despediu cordialmente e desligou. Disse então a Guedes: “Paulo, tudo bem. Pode ser ele. Mas é na sua conta. O ônus e o bônus serão seus”. O superministro da Economia realiza hoje o prejuízo de ter escolhido Levy, finalmente demitido.

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da Redação

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