Em meio à divulgação de conversas entre Moro e Dallagnol, campanha do pacote anticrime é suspensa

Com informações do O Globo

BRASÍLIA — Em meio à divulgação de supostas mensagens que indicam que o ministro da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro, combinava com o Ministério Público Federal (MPF) atuações na Operação Lava-Jato , o Palácio do Planalto adiou o lançamento da campanha publicitária pela aprovação no Congresso do pacote anticrime , que estava marcado para a próxima quarta-feira, dia 12.

O governo nega que a suspensão temporária esteja relacionada às conversas divulgadas e não dá um novo prazo para a apresentação da campanha.

A propaganda da proposta do ministro Moro seria lançada em uma cerimônia no Palácio do Planalto. No governo há duas versões para o cancelamento. A primeira é que, na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro determinou foco total na publicidade da reforma da Previdência. Outra é que o uso de depoimentos vítimas de violência, considerado mais trabalhoso, atrasou o trabalho da agência de publicidade.

Após a publicação da matéria, a assessoria do Ministério da Justiça informou que "o material produzido pela agência não estava satisfatório" e que "não há relação alguma com as notícias do The Intercept" no fato de a campanha ter sido adiada.

Em nota oficial, a Secretaria Especial de Comunicação Social informou que a "campanha publicitária do pacote anticrime está em fase de produção, ainda sem previsão de data para o lançamento". Na semana passada, o Planalto havia confirmado ao GLOBO que o lançamento estava marcado para o dia 12 de junho.

O pacote anticrime ainda não começou a tramitar formalmente e está em análise em um grupo de trabalho na Câmara de Deputados. O projeto de lei contra a corrupção e anticrime, apresentado em fevereiro, propõe alterações em 14 leis, como os códigos Penal, de Processo Penal e Eleitoral, além das legislações que tratam de crimes hediondos e execução penal.

A campanha suspensa está baseada em três pilares: crimes violentos, corrupção e organização criminosa. Os detalhes da propaganda foram definidos pessoalmente pelo ministro, que também aprovou as peças.

A estratégia da campanha publicitária, definida pela Secretaria de Comunicação (Secom), queria sensibilizar as classes com renda mais alta e formadores de opinião para a proposta de Moro. Para atingir este público, as peças seriam exibidas em canais de tv fechada, além de publicidade jornais e revistas.

A campanha é assinada pela agência Artplan, a mesma responsável pela publicidade da reforma da Previdência, lançada em maio e prevista para ser encerrada em julho, quando o governo já espera ter aprovado as novas regras para a aposentadoria.

Entre os pontos centrais da proposta de Moro, estão a tipificação do crime de caixa dois e tornar obrigatório, e não apenas autorizativo, o cumprimento de pena de prisão a partir de condenação em segunda instância.

Um dos itens mais contestados é o que trata do excludente de ilicitude, ampliando a redução ou isenção da pena a policiais quando estiverem em confronto armado, uma das principais promessas de campanha de Bolsonaro.

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da Redação

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