Opinião: Brasil rumo à recessão? É o consumo das famílias, estúpido!

Por Inteligência Política

O Brasil teve crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de -0,2% no primeiro trimestre de 2019 ou, pra ser mais honesto com os fatos, teve “um decréscimo no PIB de dois décimos”.As fórmulas para produzir riqueza e crescimento econômico são variadas, de país para país. No caso Brasil, o que mais conta é, pasmem, os brasileiros.

Isso faz com que certos remédios amargos funcionem para um paciente e não para outros. Mas vamos começar por explicar o título deste texto, até pra que ninguém pense que o Inteligência Política sai a chamar os outros de estúpidos por aí.

A frase original é de James Carville que, em 1992, era o estrategista de Bill Clinton na disputa pela Casa Branca. Clinton, democrata, era o azarão da campanha.

O favorito era George Bush pai, republicano que disputava a reeleição tendo sido plenamente vitorioso na jornada do Iraque, a Guerra do Golfo, em seu primeiro governo nos Estados Unidos. E ele ostentava inacreditáveis 90% de popularidade. Bush pai, no entanto, perdeu.

Carville, instado a explicar porque seu candidato Clinton vencera apesar da popularidade e as glórias militares de Bush, respondeu, seco:

“É a economia, estúpido”.

Traduzindo. Perante o eleitor, de nada valem láureas militares, vitórias guerreiras, autoestima elevada, se a economia vai mal. Nove entre 10 analistas políticos americanos davam como certa a reeleição de Bush porque procuravam o fundamento do sucesso dentro da lógica, mas nas vertentes erradas.

Assim, Carville apresentava o que para ele era óbvio, mas para os outros era novidade. É preciso duvidar das certezas e saber onde se procuram as respostas.

O QUE DEU ERRADO?

Voltando para o Brasil, 2019. O Brasil vinha em uma recuperação econômica, extremamente lenta, porém efetiva, desde 2016. O governo de Jair Bolsonaro (PSL) recém se inicia e era de se esperar que, até pelo entusiasmo de um governo eleito fresquinho e motivado, o setor produtivo pudesse se aquecer de alguma maneira.

Pois bem: deu tudo errado. Agora, a pergunta mais comum dos incautos é: POR QUÊ?

É o consumo das famílias, estúpido!

A tática do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente Bolsonaro têm sido de total terrorismo em relação à Reforma da Previdência. Aliado a medidas de austeridade de fazer corar o FMI, Guedes tem dito e reiterado que só a Reforma da Previdência na casa de RS 1 trilhão em 10 anos pode nos fazer ter prosperidade de novo.

A conta não é bem assim, não há garantias de absolutamente nada mesmo como a mais esfomeada reforma, mas esse é assunto para outro dia.

Ora, se o ministro condiciona a felicidade geral da Nação a algo que foge a suas próprias forças e está a cargo do Congresso Nacional, onde também não há certezas quaisquer, é normal que o consumo se retraia.

Se ninguém compra, ou se ninguém tem coragem de assumir “prestações” por bens de consumo de maior valor, a economia brasileira não cresce. E isso não é coincidência, veremos em seguida.

FAMÍLIAS SEGURAM DOIS TERÇOS DO PIB

Mas qual é o peso do meu, do seu, do nosso salário na economia do Brasil? É gigantesco. Os gastos de nossas famílias representam 64%, quase dois terços, da geração de renda do país. Trocando em miúdos: se a família não consome, o comércio não vende, a indústria não contrata, o emprego não aparece e o Brasil não sai do buraco.

De cada 3 reais que entram na economia, 2 são injetados pelos bolsos de nossa gente. E hoje, para termos a dimensão exata, de cada R$ 100 que uma famílias tinha em 2014, neste momento, cinco anos depois, sobraram só R$ 91. Em outros termos, ficamos 9% mais pobres do que eramos no dia em que Neymar não jogou e tomamos 7 a 1 da Alemanha.

Não adianta contar com o agronegócio. Não adianta especular sobre a capacidade ociosa de nosso parque industrial pequeno e em retração. O que move o Brasil é o consumo das famílias.

O maior ativo do Brasil é o tamanho de seu mercado consumidor e ele precisa ser preservado com a energia de um Green Peace ou um Sea Shepherd. Se o mercado consumidor não consome, porque empresas estrangeiras investiriam aqui? Mais um aspecto nefasto do regime recessivo.

Se o governo quer aprovar a Reforma da Previdência sem amargar recessão aguda no meio do percurso, precisa tocar duas músicas: uma, de sensibilização da opinião pública e do parlamento sobre a importância da Reforma.

Outra, a do amor e da esperança, com uma capacidade mínima de gerar boas notícias para quem quer empreender e empregar. Não se sabe se o capital está disposto a esperar a situação piorar muito antes de melhorar, o que parece ser o plano. Possivelmente, não.

Seguindo só no terrorismo, vamos gerar apenas uma horda de aterrorizados.

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da Redação

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