Líderes avaliam que atos pró-governo Bolsonaro não mudaram cenário político e pauta da Câmara

Com informações do Jornal O Globo

BRASÍLIA - Líderes de diferentes partidos na Câmara avaliam que os atos de domingo em favor do presidente Jair Bolsonaro não vão alterar a rotina de trabalhos entre os parlamentares. Ao GLOBO, eles demonstram acreditar que a pauta da Casa continuará a ser tocada de forma independente do governo.

Para o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, uma das lideranças do centrão, os atos ficaram aquém do esperado pelos apoiadores do presidente e podem levar o governo a rediscutir sua estratégia de confronto com o Congresso.

— Como já era esperado, foi aquém do que imaginavam que seria. A pauta é ruim: defender o governo com o país entrando em recessão, defender a reforma, realmente não é muito fácil. Então, não muda muito o que estava aí. Vamos tocar nossa pauta independentemente disso e votar o que nós consideramos de interesse do país. Se o governo imaginava que o apoio que precisava viria das ruas, deve repensar. Porque esse apoio que veio não vai resolver o problema — afirma Paulinho.

O líder do DEM, Elmar Nascimento, já havia se manifestado no mesmo sentido que o Solidariedade . Ele enfatiza a necessidade de diálogo entre o governo e o Congresso e identifica pontos convergentes entre as prioridades da Câmara e dos manifestantes.

— Ressalto que a maioria deles manifestou-se a favor da reforma da Previdência e do pacote anticrime, ambos em tramitação no Legislativo. Desta forma, a Câmara e o Senado são fundamentais no processo de aprovação das duas pautas. O STF também é pilar da democracia e, tenho certeza, contribuirá para o fortalecimento das instituições. Ninguém governa sozinho — disse Nascimento.

Líder do PSL: 'Não podemos generalizar o centro'

O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, ainda não sabe dimensionar o impacto dos atos pró-governo no cotidiano parlamentar, mas reforça a legitimidade das demandas levadas às ruas no domingo, como fez o presidente Jair Bolsonaro .

— Eu não sei se vai provocar grandes alterações na Câmara, mas acredito que as manifestações foram populares, de pautas legítimas, na sua maioria — avalia Waldir.

Manifestantes fazem flexão durante ato pró-governo em Copacabana Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo
A orla de Copacabana recebe centenas de pessoas vestidas de verde e amarelo em um ato a favor do governo do presidente Jair Bolsonaro na manhã deste domingo Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo
Manifestantes vestidos de verde e amarelo carregam bandeiras do páis em ato em defesa das pautas do governo de Jair Bolsonaro, como a reforma da Previdência e o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo
Movimentos que apoiam o presidente e parlamentares do PSL, partido de Bolsonaro, trouxeram carros de som para a orla, incluindo um mastro de 45m de altura com a bandeira do Brasil, e bonecos infláveis que retratam o ex-presidente Lula e o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo

Para o deputado, os ataques ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a lideranças do centrão por alguns dos participantes do protesto também não devem ter repercussões significativas na Casa.

— Os partidos de centro e o Rodrigo Maia têm maturidade suficiente para entender essas manifestações, que se sabe que não há como controlar. Nós não podemos generalizar o centro. Existem parlamentares que erraram, mas a maioria são parlamentares espetaculares — pontua o líder do PSL.

Paulinho da Força, por sua vez, observa que a de manifestantes radicais cria algumas dificuldades para o presidente.

— Bolsonaro se enrolou nessa extrema-direita e acaba sendo difícil de controlar. Isso só isola o governo e, nesse aspecto, o deixa numa situação pior — disse o presidente do Solidariedade.

O líder do DEM acrescentou que o "radicalismo e a beligerância nunca levaram a lugar algum". De acordo com Elmar Nascimento, neste momento, é preciso "unir esforços para atingir a um objetivo comum", como a recuperação da economia e a geração de empregos e renda.

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da Redação

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