Se ganhar, Bolsonaro perde. Se perder, pior para ele!

Por Ricardo Noblat da Revista Veja

A essa altura, não importa mais se as manifestações de rua convocadas para o próximo domingo pelos devotos do presidente Jair Bolsonaro atrairão muita ou pouca gente.

Para ele que, primeiro, as endossou, depois fingiu recuar e, por fim, mandou que os filhos as apoiassem, o resultado será o mesmo: um perfeito desastre.

Se pouca gente comparecer depois das multidões que foram às ruas protestar contra o corte de dinheiro para a Educação, se dirá, e com razão, que o governo está fraco.

Se mais de dois milhões de pessoas se manifestarem em todas as capitais e em cerca de mais 200 cidades, Bolsonaro terá colhido uma falsa vitória e arranjado um baita de problema para resolver.

As manifestações têm como objetivo principal emparedar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, tratados pela ala mais radical do bolsonarismo como inimigos do capitão e do seu governo.

O capitão as estimulou para jogar fumaça sobre os problemas mais graves que enfrenta: a investigação dos negócios de sua família e o fracasso do seu governo até aqui.

Ele não se preparou para governar. Ele não imaginou que governaria. Ele não tem um plano de governo. Ele não tem vocação nem gosto pelo que faz desde que tomou posse no cargo.

Em queda nas pesquisas que avaliam seu desempenho, ameaçado de não concluir o mandato a continuar assim, ele aposta na única coisa que aprendeu durante 28 anos como deputado: provocar conflitos.

No momento em que mais precisa do apoio do Congresso e da colaboração da justiça para que possa tocar um barco que já faz água, ele parte para o confronto com os dois.

Como reagirão os políticos e os togados se as manifestações de domingo forem uma afronta a eles como se desenham? E ainda por cima um sucesso de público? E Bolsonaro, o que fará em seguida?

Nem o Congresso e nem a Justiça dão sinais de que se acovardarão. Os militares empregados no governo carecem de tropas e de vontade para alimentar os instintos golpistas do capitão.

De resto, ex-militar empregado na administração pública quer mais é ficar quieto no seu canto para que não exponham o quanto ganha em aposentadoria e em cargo em comissão.

Os militares da ativa que comandam tropas não parecem atraídos por nenhum tipo de aventura que implique em rasgar a Constituição. Em resumo: de nada servirá a Bolsonaro o que ele colher domingo.

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da Redação

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