Elliot: Fundo de investimento americano "temido" no mundo dos negócios

Glauce Cavalcanti do Jornal O Globo. RIO - Em meio ao turbulento processo de recuperação judicial da Avianca Brasil — que arrisca deixar o mercado, elevando o preço das passagens aéreas e reduzindo a oferta de voos diretos no país — o Elliott ganhou protagonismo.

O fundo americano de investimentos agressivos, conhecido por quase ter quebrado a Argentina, é o principal credor da empresa aérea, com 80% da dívida da Avianca.O Elliott, contudo, voa muito mais longe.

Com uma carteira de US$ 34 bilhões em ativos sob sua gestão, está nos mais diversos setores, da montadora Hyundai ao site eBay; da francesa Pernod Ricard, dona de marcas como Absolut e Ballentine’s, ao clube de futebol AC Milan.

O mais forte pilar do Elliott é seu fundador, o bilionário americano Paul Singer e que segue no comando da operação há mais de 40 anos. Formado em psicologia e direito, é conhecido no mercado financeiro por atuar como um investidor extremamente agressivo.

Perto de completar 75 anos, ele construiu sua fortuna principalmente comprando dívidas de empresas e de estados em dificuldades, daí o forte atuação como “fundo abutre”.

Nos últimos anos, porém, atua cada vez mais fortemente em negócios de diversos setores, do esporte à companhias de alta tecnologia, seu foco mais recente.

O gigantismo do Elliott é operado por uma equipe de cerca de 470 profissionais, sendo 168 investidores, que trabalham tanto na sede da companhia em Nova York quando em filiais em outras cidades americanas, além capitais como Londres, Hong Kong e Tóquio, segundo informações do site institucional do fundo. A regra é basicamente sempre a mesma.

O fundo adquire uma fatia de uma companhia ou de uma dívida. A partir daí, atua de forma ativa na condução dos processos e dos negócios.

Não é diferente com a Avianca Brasil. Foi o Elliott quem desenhou a estrutura do plano de recuperação aprovado na última assembleia de credores da empresa, que prevê o fatiamento da aérea em minioperações para irem a leilão. O pregão estava marcado para acontecer no último dia 7 de maio, mas acabou suspenso por decisão judicial.

Foi também o fundo que, ao estruturar esse plano, atraiu o compromisso de investimento de Latam e Gol na Avianca, acirrando a disputa pelos ativos da empresa e jogando água na oferta que a Azul fez em março pela concorrente em dificuldade.

“O Elliott foi um dos pioneiros na compra de bônus de países em moratória. Esses 'fundos abutres' recorrem à Justiça para obter, depois, ganhos monumentais com esses títulos. A briga judicial com a Argentina se arrastou por 15 anos.” . .

No fim do ano passado, Amos Genish deixou a presidência da Telecom Itália, dona da TIM Brasil, em consequência à disputa societária travada entre dois acionistas da europeia, a francesa Vivendi e o americano Elliott, e o executivo.

O fundo nova-iorquino também avaliou proposta para comprar a Oi em 2016, com a promessa de investir até R$ 10 bilhões no grupo de telefonia, que também está em recuperação judicial.

O fundo ficou famoso por ter travado uma verdadeira batalha com a Argentina na época da renegociação do pagamento da dívida do país. Em moratória, a Argentina tentava um acordo com seus credores para honrar seus compromissos e deixar de ser um pária no mercado internacional.

Depois de anos de negociações, a maior parte dos credores aceitava a proposta, menos um pequeno grupo liderado pelo Elliott.

A disputa na Justiça entre a Argentina e esses “fundos abutres” se arrastou por 15 anos. No início de 2016, enfim, o país e e o grupo chegaram a um acordo, que previa pagamento de US$ 4,65 bilhões.

O Elliott foi um dos pioneiros em compra de títulos com pagamentos em atraso de países em moratória, o que o permitia atuar legalmente para garantir ganhos monumentais, ainda que muito tempo depois do investimento inicial. O primeiro ganho com um país em situação de calote veio ainda nos anos 1990, com o Peru.

Nos últimos anos, o fundo vem apostando com força em empresas de tecnologia. Adquiriu uma fatia na Samsung, um naco do eBay e anunciou aporte de US$ 1,3 bilhão na europeia SAP. Isso não deixou outros setores de fora, o AC Milan e a Pernod Ricard também estão a bordo.

FUNCIONÁRIOS PARALISAM OPERAÇÃO DA AVIANCA NO SANTOS DUMONT

Funcionários da Avianca fizeram greve no dia 17 de maio, e voos foram cancelados no Santos Dumont e em Congonhas Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Sentados no saguão do aeroporto Santos Dumont, no Rio, os funcionários da aérea protestavam contra o atraso dos salários Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Segundo o sindicato dos Aeronautas, a Avianca já demitiu 900 funcionários Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
A companhia aérea, em recuperação judicial desde dezembro, enfrenta uma grave crise financeira Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
A paralisação teve início às 5h40m desta sexta-feira para reivindicar o pagamento de salários atrasados e de diárias pagas a tripulação para despesas com alimentação e transporte durante o trabalho Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
A grave situação financeira da Avianca, com mais de R$ 3 bilhões em dívidas, está afugentando passageiros da companhia e forçando o cancelamento dos voos Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Levando cartazes, além das questões salariais, os funcionários alertavam para a segurança dos voos Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

da Redação

Comentários