'Nós valorizamos, sim, o Parlamento', diz Bolsonaro após criticar classe política

Marcello Corrêa e Gustavo Maia do Jornal O Globo

BRASÍLIA - Em meio a uma crise na articulação pela reforma da Previdência , o presidente JairBolsonaro disse nesta segunda-feira que valoriza o parlamento. Durante lançamento da segunda fase da campanha publicitária sobre a proposta, Bolsonaro disse que a palavra final será dada pelo Congresso .

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— Nós valorizamos, sim, o parlamento brasileiro, que vai ser quem vai dar a palavra final nesta questão da Previdência, tão rejeitada ao longo dos últimos anos — disse Bolsonaro.

Mais cedo, em evento na Firjan, no Rio de Janeiro, o presidente afirmou que "o grande problema" do Brasil é "a nossa classe política" . A declaração foi feita em discurso após receber a Medalha do Mérito Industrial na cidade.

Na Firjan, Bolsonaro falava sobre a pluralidade religiosa do Brasil, e destacava que "todos têm espaço aqui", quando fez sua menção à classe política. O presidente fez uma referência ao prefeito do Rio, Marcelo Crivella , e ao governador Wilson Witzel , que também estavam presentes na cerimônia , e incluiu a ele próprio na sua avaliação sobre a atuação dos políticos em geral.

No Planalto, o presidente disse ainda que está disponível para receber deputados e senadores para corrigir possíveis “equívocos” da proposta enviada ao Congresso. Na sexta-feira, o presidente da Comissão Especial que analisa o projeto na Câmara, Marcelo Ramos (PR-AM), disse que o colegiado proporá um texto alternativo, rejeitando mudanças como as novas regras para professores e o regime de capitalização.

— Aos parlamentares como um todo quero dizer: só não recebo mais por falta de agenda. Mas gostaria de continuar a conversar com o maior número possível de vocês para que possíveis equívocos, possíveis melhoras, nós possamos junto ao parlamento brasileiro buscar — disse Bolsonaro, antes de acrescentar: — Se bem que pretendemos que nossa reforma saia de lá com o menor número possível de emendas aprovadas.

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A nova campanha publicitária começa a ser veiculada nesta segunda na TV, rádio, outdoor e internet. O projeto custou R$ 37 milhões e foi executado pela agência Artplan. Com o mote “Nova Previdência: pode perguntar”, as peças apresentam cidadãos comuns com dúvidas sobre a medida.

Antes de fazer o aceno ao parlamento, Bolsonaro havia dito que “o grande problema” do país era a classe política. Para o deputado Felipe Francischini (PSL-PR), que foi relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), os sinais mistos do presidente não devem prejudicar a tramitação da medida.

— Acredito que não (prejudica). O presidente está sob muita pressão. Há muitos assuntos que hoje pesam na questão governamental. Mas tenho certeza que no final das contas ele vai dar esse protagonismo ao Congresso, não só na Previdência, mas também na tributária — disse o parlamentar, depois da cerimônia.

Francischini disse ainda que o texto precisará passar por modificações para “corrigir distorções e injustiças”. O parlamentar destacou ainda que o PSL, partido do presidente Bolsonaro, dará apoio à proposta caso a economia da medida se mantenha próxima de R$ 1 trilhão. Em abril, a legenda anunciou fechamento de questão a favor da reforma, num indicativo de que todos os parlamentares da sigla votarão a favor da proposta.

— O substitutivo só será feito após o prazo das emendas. O prazo não acabou ainda. Quando acabar, vamos analisar o substitutivo e se for de acordo com uma economia de R$ 1 trilhão ou próximo disso, com certeza o PSL dará apoio. Se chegar pelo menos próximo disso para que tenhamos potência fiscal de avançar o regime e entrar na capitalização — disse Francischini, após a fala de Bolsonaro.

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da Redação

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