Militares concordam com o diagnóstico de Bolsonaro, mas não com sua solução

Tales Faria do UOL

Os militares não são um partido político e não têm um pensamento único sobre a política brasileira no momento.

Mas pode-se dizer, ouvindo alguns comandantes de alta patente das três forças, que a maior parte deles concorda razoavelmente com o texto distribuído pelo presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira (17).

O blog ouviu o seguinte da maioria dos que leram o texto: De fato o Brasil vive um impasse econômico provocado pela divisão entre Legislativo, Executivo e Judiciário e pelos interesses das corporações com maior poder de fogo.

É mais ou menos o diagnóstico do artigo distribuído pelo presidente, mas num linguajar menos chulo e menos condescendente com o bolsonarismo

O texto apadrinhado por Bolsonaro diz: "Desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal "presidencialismo de coalizão", o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público.

Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder.

Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário. (…)

O Brasil está disfuncional. Como nunca antes. Bolsonaro não é culpado pela disfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou.

Ele é só um óculos com grau certo, para vermos que o rei sempre esteve nu, e é horroroso." A caserna acha que o tsunami econômico vem se formando na história do país muito antes da "tal compra de votos para a reeleição".

O que os militares não estão vendo com bons olhos é a solução engendrada pelo presidente para o impasse: um chamamento para seus apoiadores irem às ruas, no próximo dia 26, acossar o Judiciário –especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF)– e o Legislativo –especialmente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A avaliação dos comandantes é de que enfrentamento só agrava a situação de impasse e pode jogar a economia no caos. No momento, os militares não aceitam nem conversar sobre a possibilidade de impeachment. Mas admitem que a convocação dos bolsonaristas para a rua pode fazer o feitiço se virar contra o feiticeiro.

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da Redação

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